o insustentável peso dos olhos

Hoje me peguei fazendo planos pra vida e reclamando por não ter tempo pra cumprir cada um deles.

Estou prestes a prestar o ENEM pela primeira vez. O desespero toma conta de mim, mas sinto que negligencio os estudos inconscientemente. De uns dias pra cá, comecei a re-assistir seriados que marcaram minha adolescência e acompanhar séries que nem conheci há um mês atrás. Quero um ótimo emprego e ingressar em uma faculdade de qualidade, contudo também quero mais diversão que videoaulas do Descomplica.

No Instituto onde estudo, adiaram a semana de provas (que começaria nesta quinta) para a semana que vem. Em vez de aproveitar o tempo extra pra estudar mais, sinto que tenha mais tempo e estudei menos conteúdos diariamente. Não parei de estudar, que fique claro, mas fiquei um pouco mais relaxado, sim.

Completando o ciclo de mil coisas para se fazer, na semana passada terminei de escrever um livro, na correria pra não deixar a inspiração escapar. Minha estante também tem mais livros não-lidos do que deveria e me enrolei com alguns exemplares da biblioteca da escola. E tem o livro desta não-resenha que, vejam só, terminei de ler há vários dias, mas estava sem tempo pra escrever por aqui. Uns cafés adiante e noites de insônia depois, estou com bocejos inconscientes e um enorme grau de identificação com este livro.


” Você já teve a sensação de tudo o que você realmente vive é tão frágil que cabe dentro de uma caixa?
Você já teve a sensação de que a realidade que você constrói todos os dias não é mais tangível ou lógica do que os números e anotações sem significado que estão dentro dessa caixa?”


 

O livro é Hipersonia Crônica, de Aline Valek. Sem pretensão alguma, baixei o epub no site da autora e fiquei feliz por serem tão poucas páginas. São 27 páginas com a novela, além de alguns extras, como fotografias e ilustrações. Como diz o prefácio, é livro pra se ler em uma tarde de domingo, sonolento.

 O protagonista, Jonatan, recebe a encomenda de um projeto grandioso e que pode mudar a carreira dele para sempre. Entretanto, a rotina do cara é tão pesada e corrida que o café não consegue mais tornar leves as suas pálpebras. O peso dos olhos se torna insustentável, fazendo-o adormecer nas horas erradas e inoportunas. Durante uma conversa. Fornecendo dados sobre o projeto. Mandando uma indireta para a colega de trabalho. Jonatan vai da vida ao sono em questão de segundos, vagando pela dimensão dos desacordados.

Elementos fantásticos surgem, como um dragão ou bombas atômicas, e deixam bem claro que aquilo não passa de sonho e o moço está dormindo. Contudo, em outras passagens, ingressos de peças teatrais e pequenos envelopes marcam uma conexão entre os dois estados de Jonatan: a grande sacada da autora é usar estes elementos para deixar o leitor em dúvida se o que acontece é fruto da imaginação ou realidade.

Nos pegamos duvidando de tudo ou nos surpreendendo em cenas corriqueiras, porque o ponto exato em que ficção e realidade se dividem é bem incerto. Ficamos com medo de dormir e acordar no meio da sala do chefe. Ficamos com medo de ficar acordado por muito tempo e acabar com sono na hora errada. Nos encantamos com o desfecho e ficamos com vontade de jogar tudo pro ar também: os planos, os projetos, os cafés.


Capa_kindlehipersonia crônica – aline valek – independente – 39 páginas

em 140 caracteres… uma narrativa tão fantástica quanto verdadeira!
um livro para… duvidar da realidade e questionar os acontecimentos!
combina com… insônia e café preto!

Andre quer dormir mais.

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