fuja, coelhinho!

Esta semana, a incrível Mell Ferraz, do blog Literature-se, publicou um vídeo comentando sobre os livros que ela teria adorado conhecer nos tempos do colégio, se tivessem sido indicados leituras obrigatórias nas aulas de Literatura. Na hora em que estava assistindo, claro, fiquei imaginando quais livros poderia indicar para o André mais novo. (o vídeo está aqui, por sinal)

Na hora, não consegui pensar em nenhum. O único livro que passou pela minha cabeça (e deixou um gosto de infância na boca) foi A Droga da Obediência, de Pedro Bandeira, mas ele foi uma leitura obrigatória mesmo para mim, a mais incrível de todas, e ajudou a me formar como um leitor. Porém, ainda estava lendo o livro indicado nesta postagem. E, agora, depois de ter terminado, minha lista de “livros que gostaria de ter lido no colégio” ganhou seu primeiro título: Fuja, coelhinho, fuja, de Barbara Mitchelhill.

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A história de Fuja, coelhinho, fuja gira em torno de uma família e é narrada em primeira pessoa pela filha mais velha (mas que tem somente 12 anos). Depois da morte da mãe num ataque nazista, este núcleo familiar passa a ser composto por William, o pai apaixonado pelos filhos, Freddie, o filho novinho de seis anos, e Lizzie, a nossa protagonista.

Por ainda estar numa idade satisfatória, Will acaba sendo convocado para lutar pelo seu país na Segunda Guerra Mundial. Porém, por ter perdido a esposa e não concordar com todas as outras mortes perdidas, ele se assume pacifista e solicita um trabalho mais ameno em prol da sua nação. Porém, o pedido é indeferido e a polícia vem atrás dele, que, para não se separar dos filhos, resolve fugir para uma comunidade chamada Whiteway, que não segue tantas leis e permanece alheia aos conflitos do governo. Uma pequena sociedade anarquista, sem poder centralizado em ninguém, onde todos tomam suas decisões em assembleias.

Contudo, o cerco se fecha em volta destes personagens e, mesmo escondidos e com as crianças longe da escola, precisarão fugir novamente. E, dessa vez, a separação poderá ser inevitável.

Por ter sido narrado com uma voz tão doce como a de Lizzie, é impossível permanecer ileso dos sentimentos que a autora conseguiu inserir nas palavras utilizadas. Algumas passagens com Freddie também são tão inocentes que doem. Utilizar palavras tão simples (a tradução está muito bem feita e o responsável deixou várias notas de rodapés com os nomes originais) poderia amenizar os efeitos na Segunda Guerra e do nazismo, mas, na verdade, só os torna ainda mais cruéis.

Falando na tradução e nas palavras originais, a pesquisa aqui não foi bem feita somente pelo tradutor Luiz Antonio Aguiar. A autora Barbara Mitchelhill também trabalhou fundo no contexto histórico, utilizando cenários e acontecimentos reais. Whiteway e as casas de trens que aparecem na história, por exemplo, realmente existiram.

Também recebe um mérito por ter trago um novo olhar para tudo que se passou naquele tempo. Nunca havia lido um livro que tratasse da Segunda Guerra, mas focasse na visão de um “possível soldado que se recusa a lutar” e ou alguém que “foge mesmo sem ser um judeu”. E é neste ponto que Barbara Mitchelhill consegue inserir reflexões, o que mais me encantou: ela mostra que os verdadeiros corajosos não são os que saíram de casa e seguiram para os campos de batalha, mas aqueles que permaneceram em seus lares, pensando, preocupados, a todo momento nos que estão longe; corajosos são aqueles que não hesitam em assumir sua posição diante do preconceito ou de qualquer punição.

Por essas, por outras e pelos grafismos da Editora Biruta (as imagens valem mais que mil palavras para elogiar as ilustrações, as cores e a diagramação), é que acredito que adoraria ter lido este livro anos atrás. Porque Fuja, coelhinho, fuja não fala somente sobre uma história distante, como nos livros didáticos, mas sobre algo que vivemos todo dia: nossas escolhas sobre nós mesmos, sobre aceitação e sobre valentia. Mamãe também pensa assim. Ela mesma disse.


Fuja-coelhinho-fuja-capa-CMYK1fuja, coelhinho, fuja – barbara mitchelhill – editora biruta – 236 páginas

em 140 caracteres… uma narrativa de fuga e guerra, pelos olhos e palavras de uma criança.
um livro para… refletir sobre nosso passado, a história do mundo e uma ideia de paz.
combina com… frio e angústia!

A Biruta é parceira do blog e enviou um exemplar deste livro como cortesia. Você pode conhecer todo o catálogo da editora aqui e acompanhá-los no blog Biruta Gaivota, no Facebook e no Instagram.

Andre acredita na valentia de se afirmar.

 

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