de amor & big bang

Não sou o maior fã de poesia do mundo, confesso. Consegui encontrar somente um livro de poemas na minha estante, além deste (o livro é O Triste Fim do Pequeno Menino Ostra & Outras Histórias, de Tim Burton). Tenho uma certa dificuldade em ler coisas que adicionam palavras rebuscadas demais, acontecimentos antigos demais ou que se preocupam muito mais com a forma da coisa do que com o conteúdo. Talvez seja por enxergar o oposto disso em Ligue os Pontos – Poemas de Amor e Big Bang, de Gregorio Duviviver, que gostei tanto do livro.

Gregorio não parece estar fazendo poesia quando ele narra um diálogo, descreve uma rua do Rio de Janeiro ou conta sobre as pessoas que passam por aí. Ele parece conversar com a gente. Ou melhor, parece nos enumerar uma série de palavras sem muito sentido e dá ao leitor a chance de ligar os pontos e inventar as cenas de verdade.

Somos nós que inventamos sua poesia com a leitura, interpretando as cenas do nosso modo. Gregorio escreve em letras minúsculas, sem vírgulas. São poucos os travessões, finais ou outros tipos de pontuação para aumentar a compreensão. Uma leitura, sem dúvidas, diferente e que envolve o “sair da zona de conforto”.


 

“pensar na luz do fim do dia é bom
como acordar com o despertador às seis
da manhã e lembrar que é sábado.”


 

A primeira parte do livro é chamada de Cartografia Afetiva. Um núcleo de poesias com o mesmo tema central: Rio de Janeiro. O escritor fala sobre personagens icônicos que transitam por famosas avenidas, bairros e cartões-postais da capital do estado. Uma brincadeira sobre alguns preconceitos e lugares-comuns sobre pontos-turísticos (Copacabana e Urca, por exemplo). Porém, não é feito somente de ironias. Tem também um pouco de apego às localidades. A forma como tudo é construído reflete boas memórias do cara sobre a Cidade Maravilhosa.

Por não conhecer também o Rio de Janeiro, mas por conhecer o afeto, me identifiquei e gostei mais do segundo eixo de Ligue os Pontos, intitulado Aprender a Gostar Muito. O tema agora é o amor, o romance, a vida, o universo. São pequenas declarações de amor, questionamentos sobre a criação do mundo, diálogos entre casais,  jogos de palavras com expressões comuns e cenas cotidianas…


 

veja também:

o episódio do livrominuto sobre o livro de crônicas, roteiros e colunas do gregorio duvivier!


 

“antes de eu nascer o mundo era uma foto desbotada
dos meus pais mais magros à beira da piscina
esperando que algo fantástico acontecesse (eu).”


 

Gregorio Duvivier conquista pela surpresa. Seus poemas não passam batidos, sem uma piadinha ou um twist. Bom Humor. Escrevendo roteiros para o Porta dos Fundos ou suas poesias, ele sabe surpreender, nos fazer dar um risinho bobo. Não são poesias que farão gargalhar, como ele costuma fazer no canal do YouTube, mas provocam um sorriso e uma alegria agradáveis.

É impossível se sentir distante do livro. Em todos os momentos, lemos sobre algo comum e escrito de uma forma comum. Ligue os Pontos não é “erudito”. É corriqueiro, nada parnasiano. É cheio de beleza porque fala de nós, é pessoal. As palavras somente estão desorganizadas em versos, digamos assim.


 

13648_gg.jpgligue os pontos: poemas de amor e big bang – gregorio duvivier – companhia das letras – 88 páginas

em 140 caracteres… poesia engraçadinha.
um livro para… pensar de uma maneira mais emotiva sobre o cotidiano.
combina com… sorriso bobo.

 

Andre quer ligar os pontos sardentos de suas costas.

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