são crianças como você (e eu)

Viajei neste último final de semana e aproveitei para assistir um dos filmes que estavam me deixando com coceira de tanta ansiedade, mesmo sem saber muito bem sobre o que era (sabia que tinha algo a ver com família, com sexo, com relacionamentos virtuais… mas nem imaginava uma sinopse ou premissa) e mesmo com todas as qualificações baixas no Letterboxd (existem vários comentários positivos também, mas “meus amigos” da rede social, em sua maioria, deram notas abaixo de 2).

Fato é que Homens, Mulheres & Filhos divide opiniões justamente por causar vários pensamentos e fritações usando o exagero como base. Acho que é impossível sair da sala de cinema sem levar algo de algum personagem e ficar refletindo sobre isso por alguns longos minutos. O filme, dirigido por Jason Reitman, trata do nosso mundo de uma maneira única e bem sincera, até quando torna algumas coisas grandiosas demais, justamente para chocar.

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O título resume tudo o que o filme transmite. Homens. Mulheres. Filhos. Um filme sobre família distintas, mas também sobre pessoas distintas. São váriosplots diferentes que se conectam em alguns momentos de um modo simples e, por vezes, previsível. Aqui temos uma mãe que sempre quis ser famosa, não conseguiu e deposita sua vontade na filha; um pai separado que vê o filho de afastar cada vez mais dele; uma garota que cria uma conta fake na internet para burlar o controle obsessivo da mãe; um casal que tem uma ótima relação e um casamento sem discussões, mas que não se dá bem na cama…

Somos expectadores de várias situações incomuns, vamos nos conectando cada vez aos personagens e enxergando várias semelhanças e diferenças entre nós e eles. E é impossível passar ileso pelo desfecho que, SOCORRRRR, acabou comigo. Um final trágico e severo que traz à tona um monte de pensamentos sobre nossos pais e a capacidade que eles tem de interferir na nossa identidade, sabe?


 

filme x livro

Também li o livro que inspirou o filme e conto o que achei e comparo com a adaptação cinematográfica no vídeo!


 

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A culpa de tudo isso no filme é de uma mãe. E me fez lembrar de todas aquelas vezes em que meus pais me proibiam de fazer alguma coisa, me privavam de algum presente e eu chorava, sozinho no meu quarto, sem vontade de ver a cara de nenhum deles. Mas a culpa de tudo isso no filme é de uma mãe bem intencionada. E me fez lembrar de todas aquelas vezes em que recebi um “não” porque eu merecia ou porque era melhor para mim.

Meus pais nunca quiseram me presentear com um sonoro não para me fazer sofrer, mas para me educar. Contudo, eu não conseguia enxergar isso, imaturo. Não me lembro de ter discutido, brigado ou gritado por causa disso, porque sempre fui muito fechado e calado (reclamava internamente). Se hoje estou aqui, vivendo uma vida normal e beleza, é a eles que devo.

É claro que super proteção nem sempre é o caminho para fazer um filho de bem. Sempre tem aquela história de que “quem é trancado demais para fazer certinho em casa, acaba fazendo tudo errado de uma vez quando consegue a chave”. Protegê-lo demais pode significar afastá-lo do mundo. Tornar-se independente, capaz de refletir sozinho sobre suas escolhas e lidar com as consequências delas, pode ser mais difícil se está segurando a mão dos seus pais o tempo inteiro.

Mas como explicar isso para quem está aprendendo a ser pais do mesmo jeito que nós estamos aprendendo a ser filhos? Eles nunca haviam sido pais de um André até eu nascer. São crianças como você, como eu, como os pais deles. Não existe fórmula, nem manual para viver, para educar ou para ser filho. A gente só aprende fazendo, errando, acertando.

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Homens, Mulheres & Filhos transmitiu muito bem essa mensagem para mim quando o assisti no último final de semana e tenho certeza que vai falar de outra coisa quando o ver novamente (sim, pretendo o fazer). É um daqueles filmes que ensina muito, mesmo não sendo nada didático. E deixa a gente insone na madrugada, tentando traduzir em postagem tudo o que está pensando.


 

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(2014)
dirigido por jason reitman
com rosemaire dewiti, ansel elgort, adam sandler, jennifer garner, emma thompson e kaitlyn dever.

 

 

Andre espera conseguir dormir depois de ter se livrado das reflexões.

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Um pensamento sobre “são crianças como você (e eu)

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