estranhas e belas mágoas

Ava Lavender, em todos os aspectos, parece ser uma garota adolescente como qualquer outra. Tem uma vontade enorme de sair de casa e se aventurar, confidencia suas vontades com a melhor amiga, sofre bastante por pequenas coisas… O único detalhe que a diferencia está em suas costas: duas asas de pássaro.

Ela sempre conviveu de maneira torta com essa característica peculiar, mas procurava relevar e crer na força do destino, principalmente porque seu irmão gêmeo, Henry Lavender, permanece mudo desde que nasceu, uma sentença realmente devastadora perto da sua. Sua capacidade de fala sempre foi discutida pela família e, procurando compreender os motivos desta sina e na certeza de que não são os únicos estranhos que pertencem à mesma árvore genealógica, a garota narra em As Estranhas e Belas Mágoas de Ava Lavender o passado de sua família, cheio de amores fracassados e sentimentos tão fortes quanto tolos, e como isso influenciou os tempos atuais.


 

“O amor,
como a maioria das pessoas sabe,
segue uma cronologia própria,
apesar de nossas intenções
ou planos bem ensaiados.”


 

Em vez de explorar simultaneamente os dois espaços temporais da trama, a autora Leslye Walton optou por separar, mesmo que não tão claramente, o livro em duas metades. A primeira, é que apresenta a família de Ava. A segunda, a protagonista, que narra esta história em primeira pessoa.

Bem criativas, as personalidades dos antepassados de Ava foram criadas muito bem. Mesmo não recebendo muita profundidade ou aspectos mais trabalhados, personagens que aparecem em somente uma passagem conseguem se destacar por terem atributos novos ou inusitados.

A mulher que dizem conseguir prever o futuro, mas que na verdade somente observa minúcias e conecta pontos em comum. O vizinho solitário que adota animais diversos e cria diferentes linguagens para cada um. A tia que se apaixonou por um especialista em pássaros e se doa de forma apaixonada para que este amor se concretize…

Com um tom divertido e leve, esta primeira parte da narrativa se destaca justamente por todas essas pessoas justapostas. São pequenas aparições que utilizam o chamado Realismo Mágico (ou Fantástico), uma das características principais das tramas de Gabriel García Márquez. Aquilo que é absurdo sendo contado de uma forma que até podemos imaginar que seja possível.


 

“Mas nem Emilienne nem Connor
pararam alguma vez para ponderar
sobre os milagres que o amor poderia trazer à vida deles.
Connor, porque não sabia que
tais coisas existiam.
Emilienne, porque sabia.”


 

Contudo, até a primeira metade do livro encerrar, ainda não havia nada certo sobre a trama de Ava Lavender e nenhuma motivação para prosseguir virando as páginas. Quem não lê a sinopse, como eu, precisa aguentar bastante tempo sem saber para onde a história está caminhando. Até mesmo quando chegamos aos tempos atuais, demora a aparecer um conflito.

É nesta segunda parte do livro que a atmosfera muda completamente e conhecemos uma casa afastada, numa colina, onde a mãe de Ava mantém os dois filhos praticamente como prisioneiros. Super protetora, ficamos cientes das intenções da mãe e até a protagonista entende que ela faz isso somente para o bem de suas crianças, com medo do que os outros moradores irão pensar ou agir diante dessas “pequenas aberrações”.

Contudo, depois de revirar o passado da família, a personagem conquista a força necessária para contornar esta situação desagradável. E ela não usará o diálogo para isso.

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Mais rápida, esta trama atual também ganha outro narrador, Nathaniel, um jovem extremamente religioso, que observa Ava de longe e adquire a certeza de que viu um anjo. Ao conhecermos os diários do garoto e ficarmos sabendo dos planos de Ava pela angulação principal, fica difícil não ficar angustiado em alguns momentos e se surpreender em outros. É daqui também que surge um romance, como todo livro jovem-adulto tem tido hoje em dia.


 

“Preocupava-se que eu fosse apenas como qualquer outra garota adolescente,
de coração mole e frágil.
Preocupava-se que eu fosse mais mito e ficção do que carne e osso.
Preocupava-se com meus níveis de cálcio,
com meus níveis de proteína
e até com meus níveis de leitura.
Preocupava-se por não ser capaz de me proteger de todas as coisas que lhe haviam magoado:
a perda e o medo,
a dor e o amor.
Principalmente o amor.”


 

Leslye Walton conseguiu criar uma narrativa bem forte para a protagonista, mas peca ao introduzir personagens nem tão importantes para a história de Ava por tempo demais. É difícil ter paciência se você prefere realismo a fantasia. Porém, se você gosta de livros bem imaginativos e com um toque de nonsense, As Estranhas e Belas Mágoas de Ava Lavender podem ser uma ótima leitura para você.


 

tumblr_inline_no0jzgarih1rzaxsl_540as estranhas e belas mágoas de ava lavender – leslye walton – editora novo conceito – 304 páginas

em 140 caracteres… uma história sobre desamores e bizarrices sendo transmitidos por herança genética.
um livro para… acreditar no fantástico e duvidar da mesmice!
combina com… penas de travesseiros e cientistas malucos que desejam voar!
para quem já leu… o filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulain tem um tipo de humor muito parecido com o desse livro. Fica a sugestão!

 

a editora novo conceito é parceira do andrecefalia.
conheça seu catálogo aqui.

Andre também queria ter asas, desde que funcionassem.

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