às noites antigas e às músicas distantes

O amor pode parecer um tema já batido na literatura, mas sempre se renova ou sempre se permite reformulações. Isto porque todo amor, por mais que seja um sentimento universal, tem suas singularidades. Contar histórias de amor, então, acaba sendo uma tarefa árdua, acredito. Imagina só a dificuldade em conseguir casar um par de pessoas sem soar piegas! Ou como será difícil mostrar demonstrações de afeto entre os personagens sem ser exagerado demais, piegas demais, sensual demais… Se em alguns livros de outros gêneros o romance pode ser o único ponto onde um autor escorrega, pense em quando o principal elemento é um casal.

Há um dificuldade enorme em ser original neste espaço! E, na minha opinião, mesmo escorregando em alguns clichês, As Pontes de Madison, de Robert James Waller, é um grande representante do gênero.


 

“Ele me deu uma vida inteira,
um universo,
e transformou minhas partes fracionadas
em um todo.”


 

Robert Kincaid é um homem de espírito aventureiro. Divorciado e sem filhos, ele trabalha como fotógrafo e se arrisca nas mais diversas partes do mundo, como fotojornalista da revista National Geographic. Não há nenhuma amarra que o prenda a nenhum lugar. Para uma das pautas que recebe, uma reportagem de capa sobre pontes cobertas, ele precisa seguir até a cidade de Madison County para registrar um conjunto de sete delas. E é mais ou menos neste ponto que o livro começa…

Mesmo depois de tentar seguir um mapa ou sua intuição, ele não consegue achar a sétima ponte do lugar, que tem uma localização mais escondida. Então, acaba encontrando uma mulher que não somente dá a informação que ele necessita, mas se prontifica a o ajudar no que quiser nesta passagem pela cidade.

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Francesca Johnson, esta solícita mulher, não poderia ser mais diferente, se comparada a Robert. Mãe de dois filhos e uma esposa exemplar dos anos 60, ela leva uma vida simples e pacata no campo, sempre se rendendo aos costumes e tradições da sociedade e se importando demais com o que diriam os outros moradores desta pequena cidade onde mora.

Mas já era de se esperar que um laço forte unisse os dois. A sétima ponte se torna um meio de comunicação, uma via realmente entre os corações prontos para viver uma paixão forte e intensa, mesmo que talvez dure os poucos dias até o retorno de seu marido de uma temporada de férias com as crianças ou ao fim dos compromissos de trabalho de Kincaid.


 

“Ele lhe trazia uma sensação tão boa.
Ela queria que aquilo durasse para sempre.
Mais canções antigas,
mais dança,
mais do corpo dele junto ao dela.
Francesca tinha voltado a ser mulher.
Havia espaço para dançar, outra vez.
De um modo lento e incessante,
ela estava retornando para casa,
para um lugar onde nunca mais estivera.”


 

O que mais chamou minha atenção durante a leitura foi a prosa do autor. O livro não é longo (190 páginas, leitura tranquila), mas é o suficiente para contar de uma forma bem inteligente o que acontece antes, durante e depois dos dias que Robert e Francesca viveram em Madison County.  Os protagonistas aqui não são jovens descobrindo o amor, vale dizer. Robert e Francesca só vivem um encontro forte assim aos 62 e 42 anos, respectivamente.

A ideia é a seguinte: os dois filhos de Francesca contratam um ghost-writer para narrar este amor avassalador da mãe. Porém, quando o livro começa, mesmo já sabendo de quem é o personagem que tem voz na narrativa, não sabemos muita coisa sobre o caso. Tudo é contado de uma forma bem calma, com um tom poético e bem moderado nas cenas de sexo. O fato de você imaginar alguém transformando em literatura uma história de não-ficção (ali, naquele mundo) também ajuda a compor uma atmosfera nova à história, que foi adaptada para os cinemas há 20 anos atrás, com Meryl Streep e Clint Eastwood. Inclusive, este livro foi reeditado pela Única Editora este ano, para celebrar o aniversário da versão cinematográfica, ganhando uma diagramação bem bonita e prática.

Outra coisa que me ganhou na história é a construção das fotografias tiradas por Robert Kincaid. Aqui, todas as descrições de enquadramento, luz, foco, brilho, permeiam o texto, mas não o tornam teórico demais. Mesmo com a inserção destes elementos, o texto continua acessível e exprime muito melhor as cenas que a gente está lendo. Quem estuda ou gosta de fotografia vai gostar destas passagens, com certeza.

Bonito e trágico, este livro de Robert James Waller compreende muito bem aquele sentimento forte que se sentir bem perto de outra pessoa e querer que os poucos momentos não passem jamais. O problema é que, na companhia de quem nos preenche, o tempo passa ainda mais depressa. As Pontes de Madison é a prova de que não deveria.


 

tumblr_inline_noez7lvnmh1rzaxsl_1280as pontes de madison – robert james waller – 192 páginas – única editora
em 140 caracteres… a narração dos dias extraordinários de um casal intenso e verdadeiro!
um livro para… acreditar ainda mais (ou passar a acreditar) na força do amor!
combina com… frases de efeito, cartas com marcas de batom e valsas na cozinha!
para quem já leu… a adaptação de clint eastwood (sim, ele foi o diretor e atuou como protagonista), que chegou aos cinemas em 1994!

 

única editora é parceira do blog e este livro foi enviado como cortesia.
conheça seu catálogo aqui e siga no facebook. confira também o livro no skoob.

 

Andre brinda às terças-feiras.

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