não há nada de mágico nos livros. (absolutamente nada)

Sempre que alguém se sugere comprar um leitor digital e questiona em blogs e redes sociais se deveria ser um Kindle ou um Kobo, alguém aparece dizendo “livros físicos”. Você pode reparar que sempre haverá alguém para ser chato o suficiente para começar um discurso desnecessário sobre “não deixar o papel acabar” ou “nunca irão conseguir desaparecer com os livros de verdade”.

Meu amigo, não há nada de mágico nos livros.
Absolutamente nada.

A verdade é que eu não gosto de leitores digitais, mas também não gosto do papel. Caro leitor, eu apenas aprecio ler. A emoção não está contida no verniz localizado da capa, mas em cada palavra que o autor expressou ali, em cada cenário ou universo criado, em cada ideia transmitida.

Claro, não há de errado em gostar de uma capa bonita, do cheiro de livro novo (que depois de um tempo, me desculpem, dá lugar a cheiro de armário empoeirado). Até curto ver os livros deliciosamente desorganizados na minha estante, cada um com uma grossura, tamanho ou cor diferente nas lombadas. Mas sempre me pergunto porque todos que curtem música baixam alguns sons em mp3 e aqueles que dizem gostar dos livros são terminantemente contra os e-readers.


 

A mesma coisa se dá pelo desgosto coletivo aos spoilers. Não sei definir umspoiler muito bem, confesso, e é bem provável que já tenha soltado vários deles durante resenhas de livros e filmes que já escrevi. Até entendo que muitos gostam de ser surpreendidos na hora da leitura, porém eu pouco me importo.

Por vezes fiquei chateado quando me disseram que um personagem morreria no final do livro ou quando me contavam o assassino antes de eu descobrir junto com o detetive de uma novela policial (inclusive, foi este o motivo, eu acho, de ter deixado A Culpa é Das Estrelas pela metade). Mas de uns tempos pra cá tenho percebido que o que me interessava não era o que aconteceria com cada personagem, mas o que os levava a isso.

Quando pego um livro, por exemplo, sempre o folheio e leio alguns diálogos deliberadamente. Depois, volto à página onde estava e começo a ler novamente, tentando encaixar aquelas falas na minha mente. Sempre, sempre me sinto agraciado e me mantenho empolgado, ainda assim.


 

 

O desenvolvimento de um livro, as metáforas usadas, a linguagem poética: tudo isso sempre valerá mais que os acontecimentos em si. Não há nada de mágico no papel amarelado, no espaçamento utilizado, na capa dura com jacket. As palavras, as frases, os parágrafos: tudo isso sempre será a mágica verdadeira.

Andre acredita na mágica verdadeira.

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