sobre jackaby & abigail rook

Abigail Rook foi criada para ser esposa de alguém muito importante, como a maioria das mulheres do século XIX. Contudo, sempre almejou viver as aventuras que somente os garotos podiam. Foi por isso que largou sua família e seu passado, fugiu da Inglaterra e desembarcou no porto de New Fiddleham, do outro lado do Atlântico.

Apaixonada por histórias de mistérios e investigações, esta mulher acaba procurando um emprego com Jackaby, um insólito detetive. E, mesmo após advertências de moradores desta pequena cidade, ela aceita uma proposta e se torna sua assistente na resolução do assassinato de um jornalista.


 

“Como dizem, o mundo todo é um palco
e parece que eu tenho a única poltrona da casa,
com vista para os bastidores.”


 

Jackaby e Abigail formaram uma grande dupla na resolução deste mistério. Os dois personagens estavam sempre bem alinhados, na mesma frequência. Isto porque os olhares dos dois se completam (apesar de dar nome ao livro, Jackaby não é um protagonista isolado, visto que Abigail é tão importante quanto para o desenvolvimento da trama – é um livro sobre os dois). Abigail consegue observar detalhes bem pequenos, minuciosos. Aquilo que é mínimo, porém óbvio, como uma pegada ou um papel amassado na lixeira. Jackaby, por outro lado, enxerga aquilo que não é óbvio para a maioria das pessoas: ele tem um dom muito particular de lidar com o sobrenatural e observar criaturas mágicas. Ele tem um olho para o fantástico e, por isso, precisar lidar com a descrença enorme da população de New Fiddleham.


 

“Até onde eu descobri, tenho um dom ímpar.
Isso me permite ver a verdade quando os outros só enxergam ilusão.
E há muitas ilusões,
muitas máscaras e fachadas.”


 

Fiquei pensando e repensando durante a leitura o quão difícil deve ser carregar estes dois olhares distintos para todos os lugares. Às vezes, é isto que me falta. Em outras, isto me sobra. Um olhar atento para as dificuldades dos outros; para uma característica minúscula, mas poética; para aquilo que é invisível na maior parte do tempo, mas que se revela para quem se permite enxergar. É um olhar que tem os escritores, os artistas, os músicos… É uma delicadeza que recebe um descrédito da maior parte das pessoas, que, geralmente, confiam somente no que pode ser enxergado por todos ou comprovado por números.


 

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foto por livros e flores.

Mas toda esta sintonia acabou deixando a história infantilizada demais. Tudo era sacado pelo investigador e sua auxiliar facilmente demais, como se o assassino não se preocupasse em deixar sua identidade ou suas próximas ações ocultas.

O tom fantástico criado pelo autor William Ritter também me deixava confuso quando aparecia. Seres míticos são criados e descriados de um parágrafo para o outro, sem uma introdução, uma base em outros personagens que já existam ou na mitologia universal. Isto acabou deixando a leitura menos instigante, já que tudo é uma grande surpresa para o leitor. Não existe em Jackaby o senso de que o leitor deve ajudar a resolver o mistério, seguindo as pistas e enigmas deixados. O extraordinário aqui foge de qualquer regra, então só cabe a quem lê a missão de acompanhar os dois protagonistas.

Não que isto seja completamente ruim. Claro que não. Ainda temos uma dupla icônica, com frases marcantes, uma escrita empolgante, descrições claras e objetivas e sacadas que muito lembram aquele humor britânico tão polido quanto sarcástico (apesar do livro se passar nos Estados Unidos dos anos 1800). Contudo, ele pode decepcionar fãs de Agatha Christie, Harlan Coben e Arthur Conan Doyle, que estão mais acostumados a tomar a frente da investigação.


 

tumblr_inline_nsbtnszz3y1rzaxsl_540jackaby – william ritter – única editora – 256 páginas

em 140 caracteres… um suspense bem escrito e divertido, com uma boa mistura dos gêneros policial, urban fantasy e jovem-adulto.
um livro para… imaginar trolls, duendes, fantasmas e outros criaturas mágicas!
combina com… chá quente, noites frias e sotaques charmosos!

a única editora é parceira do blog e enviou este livro como cortesia.
conheça seu catálogo aqui e siga no facebook. confira também o livro no skoob.

Andre tenta observar o natural como se fosse sobrenatural.

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