guerreiros!

(Warriors foi uma grande surpresa para mim, já que não esperava gostar tanto da história. Acabei me excedendo nos pensamentos e escrevi demais, transformando a resenha em algo muito maior. 

Como o resultado final ficou bastante extenso, preferi postar no Medium, uma plataforma muito mais agradável para a leitura. Aqui no blog, somente alguns fragmentos sobre o livro e a história em si. 

Visite este link para a experiência completa. Come out and play!)


 

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Warriors começa com o desejo de mudança de Ismael. O jovem convoca todos os guerreiros de todas as gangues de Nova Iorque e proclama seu sonho. Que se esqueçam as diferenças, que se relevem as brigas, que não se observem as disparidades. A qualquer hora do dia eles conseguem reunir vinte mil membros destas gangues. Se contarem os desorganizados, os nem tão frequentes e as mulheres, chegavam a cem mil pessoas. Cem mil é cinco vezes mais que a quantidade de policiais. “Agora, somos todos irmãos”, Ismael avisa.


 

“Eles querem nos fazer pensar que somos todos diferentes, então lutamos em gangues de pretos, de brancos, de porto-riquenhos, de poloneses, de irlandeses, de italianos, de Mau-Maus e de nazistas. Mas a mão de ferro quebrava a cabeça de todo mundo na delegacia do mesmo jeito.”


 

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Ismael foi mal interpretado por alguns. Os nazistas não aceitavam ser comandados por um negro. Os negros achavam Ismael um traidor. Outros grupos pensavam que perderia parte da reputação e glória se estivessem unidos a gangues menores. Uma discussão acalorada se inicia e ela logo se transforma numa briga generalizada. Acabava a trégua e todos se tornavam inimigos.

Quando a assembleia de Ismael descamba para o lado das mortes, socos, facadas e gritaria, o leitor passa a acompanhar a jornada desesperada dos Dominadores. Eles fogem da polícia e tentam embarcar num trem para Coney Island. Porém, uma gangue só domina seu próprio bairro. Eles não podem passar por qualquer caminho e nem conhecem todo o mapa da cidade. A trajetória do grupo se torna perigosa e cheia de inconstâncias, com encontros, desencontros, brigas internas e selvagerias.

Rápida, a história se desenrola em poucas horas — a leitura também. A narrativa de Sol Yurick é bem enxuta, mas consegue mostrar bem de perto tanto a volta para casa quanto os pensamentos íntimos dos Dominadores. Abre-se espaço aqui para conhecermos um pouco do passado destes guerreiros, suas relações familiares ou amorosas e várias noções que eles tem de mundo.

Mas não pense que isso dá ao livro um tom melodramático que foi deixado de lado no filme (exibido diversas vezes aqui no Brasil, mas somente nas sessões das madrugadas pelo seu teor). O conteúdo ainda é o que Anthony Burgesschamaria de ultraviolento: são diversas as cenas de confrontos e brigas de rua, descrições sangrentas, estupro e palavrões.


 

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A edição da Darkside Books compreende, além de um projeto gráfico atraente e bem pensado, com o couro e a marca dos guerreiros na capa e alguns mapas nas páginas internas, um conteúdo extra para comemorar os 50 anos do lançamento da versão original. Duas (espécies de) crônicas mostrando a importância dessa história abrem a edição, escritas por Ferréz, autor deCapão Pecado e outros livros, e por Beto Estrada, do podcast Matando Robôs Gigantes. Logo depois, um prefácio escrito pelo próprio autor, onde ele apresenta curiosidades sobre a pesquisa e o desenvolvimento da história, sua vida como assistente social e o que aconteceu após o lançamento.

No retorno para casa, cada passo é dado de maneira incerta, mas com um punhado de regras e convenções das gangues por trás. A gente passa a observar todo o código de lei que reúne o grupo e se sente familiarizado com Lesadão, Júnior, Hinton, Pavão, Hector e demais personagens. Familiarizado porque esta é a principal noção de Família que eles tem: união, companheirismo, cumplicidade. Mesmo quando estão solitários, eles sabem que não é possível ser um guerreiro sozinho e levam o pensamento aos outros.

Por este grupo, são capazes de atos de bravura.

Por este grupo, são capazes de atos de covardia.


 

the2bwarriorswarriors: os selvagens da noite – sol yurick – 274 páginas – darkside books

em 140 caracteres…
algo como um anti-romance de formação!
um livro para… se apegar aos personagens, por mais questionáveis que sejam suas atitudes.
combina com… coletes de couro, broches e apliques de tecido.

 

A Darkside Books é parceira do blog e enviou um exemplar deste livro como cortesia. Conheça todo o catálogo da editora aqui e os acompanhe no Facebook e no Twitter.

Andre quer um colete de couro.

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