renascido do inferno

Frank Cotton não acredita em limites quando sua intenção é conquistar novas formas de prazer. Já tendo experimentado de tudo pelas diversas partes do mundo, este homem acaba ouvindo falar da caixa de Lemarchand, um objeto que funciona como um enigma que, ao ser desvendado, contempla quem o resolveu com um prazer infindável.

Ele, claro, se interessa e não descansa enquanto não descobre onde a caixa está e qual a configuração correta para receber seu prêmio. A surpresa, porém, é receber a visita dos Cenobitas em sua casa: criaturas deformadas, marcadas por ganchos, correntes e pregos e a carne exposta. Essas figuras criadas por Clive Barker tem pouca noção na hora de delimitar as coisas e associam o prazer à dor.


 

“Não havia prazer no ar;
ou pelo menos, não como a humanidade entendia.”

“…seu erro de verdade
tinha sido a ingenuidade de acreditar que a sua definição de prazer
era a mesma da dos Cenobitas.”

 


Hellraiser 2

Um tempo depois, Rory e Julia, irmão e cunhada de Frank, se mudam para a mesma casa onde o outro recebeu a presença dos Cenobitas. Entre as mudanças e descobertas dos cômodos da casa, um acidente acontece e Julia acaba descobrindo que Frank não está numa das suas aventuras sexuais pelo mundo, mas na realidade paralela das tais figuras sádicas.

Para trazê-lo de volta à vida (existe um passado amoroso aqui, escondido pelos dois), ela precisa alimentar o ambiente com sangue – é assim que Hellraiser – Renascido do Inferno (ou The Hellbound Heart, no original) se desenrola.


 

“Em todos os lugares, nas ruínas que o cercavam,
ele encontrava evidências que apoiavama mesma tese amarga:
que ele não encontrada nada na vida – nenhuma pessoas, nenhum estado mental ou corporal –
que quisesse o bastante para sofrer nem mesmo o menor desconforto por ele.”


 

Hellraiser 3

A partir desse ponto, Julia acaba ganhando um destaque muito grande, um certo ar de heroína, na história do livro (ou novela ou noveleta ou conto ou o que quer que seja), mas não consegui simpatizar com a personagem, já que a história é, para mim, complexa para tão poucas páginas. A temática renderia muito mais e a mitologia e os personagens, humanos ou não, acabam não sendo tão explorados. Fica uma sensação de que falta algo.

Porém, essa sensação só vem porque o texto do autor é impecável (ninguém ficaria querendo mais de algo pobre). Clive Barker consegue conduzir a narrativa muito bem, me prendeu em todas as cenas e consegue animar sensações diversas no leitor. É muito interessante notar como ele seduz o leitor pelas páginas de Hellraiser, mesmo as que tem certas descrições asquerosas.


 

Hellraiser 4

Escrita já com a intenção de ser transposta para o cinema, a narrativa ganha muito mais profundidade nas telas. Os personagens ganham mais lados, os Cenobitas recebem mais destaque e a fotografia consegue um tom similar ao grotesco-poético do escritor. Uma mídia complementa a outra e as duas dividem os méritos.

Ao fim, a certeza que fica é a de que a história de Clive Barker em Hellraiser realmente merece figurar entre os clássicos do horror, ser guardada numa edição caprichada da Darkside Books – com capa dura, textura de couro, detalhe em dourado e algumas (poucas, ok) fotografias nas páginas internas – e lida por todos os fãs do gênero.


 

hellraiserhellraiser – clive barker – 160 páginas – darkside books
em 140 caracteres… não é só uma história de sadomasoquismo alienígena!
um livro para… pensar em limites e moral – desde que você não esteja preocupado demais em onde essa história vai parar.
para quem já leu… os Cenobitas me lembraram os humanos modificados de American Mary! Fica a recomendação de filme gore, apesar das temáticas serem diferentes.

A Darkside Books é parceira do blog! Conheça todo o seu catálogo aqui e siga a editora no Facebook e no Twitter.

 

Andre não desperdiça seu sofrimento.

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2 pensamentos sobre “renascido do inferno

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