cartas maduras

No século passado, as coisas pareciam bem menos maleáveis. Os relacionamentos, empregos, comportamentos e espaços eram pré-formatados. As pessoas nasciam, cresciam e viviam sem muitas opções e com tudo muito bem definido, às vezes até antes mesmo do seu nascimento. É o que aconteceu com Luda, em A Última Carta, de David Labs.

Seu espaço na família – como a filha que casaria por conveniência, para ajudar a família financeiramente, e viveria na mesma cidade onde nasceu – já estava esclarecido desde sempre. Ela não enxergava perspectivas diferentes em seu futuro, até que começou a receber cartas de um corresponde anônimo.

Um corresponde que a ama, a admira e a encoraja a mudar o rumo da sua vida, criar seu próprio destino, fugir dos valores que ela desprezava e da sua cidade antiquada.

colagem 1

Anos depois, nosso narrador encontra as cartas que este casal apaixonado trocou, além do diário de Luda e notícias de jornal da época. Contudo, mesmo cheio de registros palpáveis, são muitas as lacunas que ele precisa preencher. Para isso, ele vai usar um faro científico, situações que viveu com esta mulher e um tanto de sensibilidade – além de contar com o leitor para separar as informações das mentiras que podem ter sido criadas pelos personagens.


 

“Não duvido do talento de Luda para forjar uma convincente crise de nervos. Tornou-se dissimulada com as experiências, atriz.
Inúmeras vezes, desde o início deste livro, me perguntei quando escrevia a verdade e quanto a manipulava em nossas conversas na Rua da Brisa.
E, admito, quando mais acreditei em seus relatos foi nos momentos em que tinha certeza de que mentia.”


 

O projeto gráfico da editora Biruta para este livro (e toda a coleção Leituras Maduras), com ilustrações da premiada Casa Rex, mistura traços e objetos, o que pode demonstrar a confusão que o leitor pode sentir no meio de todos os narradores e formatos da escrita, estes que aparecem em cores e fontes diferentes.

O tempo inteiro passado em A Última Carta começa com uma série de informações desconexas, mas que vão se perfazendo à medida em que as páginas se passam. Cada texto tem seu significado para o todo e para a construção da linha do tempo da história. Utilizando diversas ferramentas e formatos diferentes de escrita, David Labs conseguiu criar uma teia convincente e intrigante para o livro.

colagem 2

Ainda assim, são deixados alguns espaços em branco para serem completados pelo leitor: mesmo sendo um exemplar da literatura juvenil, é um livro indicado para aqueles com mais maturidade e intimidade com a leitura. Intrigante, A última Carta questiona não somente os costumes dos anos 20, mas também o leitor.

É de ficar confuso, ler, reler, refletir, questionar a intenção dos personagens e a percepção do narrador, ficar perturbado, perder o sono.


 

a_ultima_carta_1344362208ba última carta – david labs – editora biruta – 140 páginas

em 140 caracteres… registros, diários, cartas e uma série de outros textos aparentemente desconexos.
um livro para… ficar intrigado e tentar completar os espaços em branco.
combina com… noites sem dormir e olhos bem abertos!

 

A Biruta é parceira do blog e enviou um exemplar deste livro como cortesia. Você pode conhecer todo o catálogo da editora aqui e acompanhá-los no blog Biruta Gaivota, no Facebook e no Instagram.

 

Andre não escreve um diário – mas gostaria.

 

 

Imagens da postagem pela Casa Rex.

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