contos foras da lei

Foras da Lei Barulhentos, Bolhas Raivosas e Algumas Outras Coisas (…) é uma coletânea de pequenas histórias pra gente pequena, escritas por gente grande como Neil Gaiman, Nick Hornby e o garboso Jonathan Safran Foer. Daí que li e adorei os textos e ilustrações, mas alguns contos merecem mais estrelinhas douradas que outros, já que conseguiram me conquistar de maneiras diferentes. Seria injusto dar uma nota geral considerando o livro como um todo, né?

Por isso, aqui está o livro comentado, conto por conto. Esta postagem vai analisar, destrinchar e opinar sobre a introdução e os 11,5 contos. (Sim, são onze contos e meio.)


 

introdução
por lemony snicket

Lemony Snicket introduz o livro com alguns parágrafos te contando que Foras da Lei Barulhentos não é um livro chato e que esta será uma ótima leitura (a não ser que o leitor goste de coisas chatas). Ele explica que as coisas que acontecem nos contos não tem a ver com ursinhos e bosques encantados, mas, para agradar todo mundo, coloca várias citações (ou microcontos) de histórias que são realmente chatas, sem-graça e idiotinhas. E ele tem talento pra isso, porque quase que não consegui terminar a Introdução. Ficava a todo momento esperando alguma sacada bacana do Lemony, mas ela não veio.
* Vale 2 Minhocas Da Divisão com Muitos Algarismos!


 

Foras da lei 2

pequeno país
por nick hornby

Meu primeiro contato com a escrita de Nick Hornby foi através deste conto e, veja bem, o cara é bom. A história de Pequeno País gira em torno de um país realmente pequeno, coisa de poucos passos. Nada de aparecer no mapa, nada de grandes estabelecimentos. A única coisa que parece importar para aqueles poucos moradores é o time de futebol (mesmo perdendo os jogos por dezenas de gols de diferença), mas a situação piora quando um importante jogador sofre um acidente às vésperas de um jogo. Sem muitas alternativas, Stefan precisa entrar para a equipe, mesmo sem saber jogar e sem vontade de estar em campo. O conto se tornou um dos meus preferidos de Foras da Lei Barulhentos, porque é bem engraçado e cheio de sacadas interessantes. Ótimo para abrir o livro.
* Vale 5 prefeitas desconhecidas!


 

lars farf, pai e marido excessivamente temeroso
por george saunders

O título não me agradou muito à primeira-vista, mas este acabou sendo meu conto favorito do livro. Ele se trata de um homem que gosta tanto de seus filhos e de sua mulher que resolve os proteger de uma maneira, vamos dizer, exagerada. Porém, nunca está satisfeito com as traquitanas que ele mesmo arruma, gerando um enorme ciclo vicioso de armadilhas para ladrões, sistemas anti-bomba, sapatos que não escorregam… É um conto bem escrito e que fala sobre a importância da família. Fala sobre aquela angústia que a gente sente quando está longe de alguém. Fala sobre o amor (e o amor provoca o medo, de certa maneira).
* Vale 5 Baldes de Rega Anti-Incêndio!


 

monstro
por kelly link

A história de Monstro acontece em um acampamento de garotos. Todos parecem acreditar na lenda de que um monstro habita aquela floresta. Ninguém sabe como este monstro é (peludo? gigante? verde?), mas o medo aparece e eles precisam se distrair para que o tempo passe rápido e dormir bem quietos para não atraírem o monstro. A história poderia render algo muito bom, mas Kelly Link não soube desenvolver o conto e me senti confuso entre as várias páginas. O pior é o desfecho broxante. Alguns livros tem desfechos abertos, mas que me satisfazem de alguma forma. Monstro, porém, não tem um desfecho aberto. Nem tem desfecho. Colocaram um ponto final por engano. Devem ter perdido a história na editora, falhado na impressão. Alguma coisa aconteceu.
* Vale 2 meninos de vestido!


 

as competições de cowlick
por richard kennedy

Cowlick é o nome de uma cidadezinha que é invadida por alguns caubóis. É uma história meio velho-oeste, sabe? Tem xerife, cavalos, cidade empoeirada… Os personagens precisam se livrar da gangue de saqueadores, mas não tem armamento nem muita gente disponível para um ataque. A solução é criativa, mas peca na previsibilidade. Quando a primeira das três cenas é concluída já havia descoberto o desfecho. Leitura rápida e agradável, ainda assim.
* Vale 4 nomes engraçados para os vilões!


 

vendidos separadamente
por jon scieszka

Essa história é a menor de todas e de leitura mais rápida, somente com diálogos. Porém, não trouxe acréscimo algum ao livro da edição brasileira. Isso porque ela é toda feita de trocadilhos com slogans de produtos, mas isso só faz sentido no original. A tradução para se adequar ao diálogo perde os slogans e, se os slogans dos produtos na gringa fossem substituídos por aqueles que eram usados no Brasil, a conversa perderia o sentido. Acaba sendo algo superficial e deveras sem-graça para nós.
* Vale 1 café da manhã dos campeões!


 

Foras da Lei 1
o terceiro desejo de seymour
por sam swope

Seymour é uma criança de coração grande e cérebro pequeno e tem uma mãe (que se chama Sra. Seymour, risos) que é uma ogra. Como eu disse, ela  não se parece uma ogra. Ela É uma ogra. Logo, odeia crianças e, por ser uma criança, odeia seu próprio filho. Quando o menino encontra um pequeno duende e o prende entre as mãos, tem a chance de fazer três desejos ao prisioneiro mágico. Agora, ele terá três chances de fazer sua mãe o enxergar de maneira mais amável. É uma história bonitinha, sobre tentar agradar os outros e preferir ser gentil. Deixar o outro passar à frente. Gostei bastante!
* Vale 4 Tiranossauros Rex!


 

grimble
por clement freud

Grimble tem mais ou menos dez anos de idade. Mais ou menos dez anos porque seus pais são bastante desatentos e comemoram o aniversário dele sem certeza alguma. Chegam em casa segurando um bolo e dizem “parabéns, hoje você completa mais ou menos onze anos!” ou “ontem você completaria mais ou menos oito anos, mas a confeitaria estava fechada e não pudemos comemorar”. A história começa quando os pais de Grimble, sempre despreocupados, resolvem seguir viagem para o Peru, avisando-o somente por bilhetes e instruções deixadas na casa. Durante o conto, acompanhamos uma espécie de diário (mas, em terceira-pessoa) dos 5 dias em que ele passa sozinho em casa. São narrações pela escola, almoços em casas de vizinhos, aventuras cozinhando sozinho e pequenas poesias escritas pelo menino. É um conto divertido, completamente bizarro e aleatório. É um dos meus favoritos do livro porque a escrita de Clement Freud soa bastante natural, como se ele conversasse com o leitor.
* Vale 5 telegramas que avisam de outros telegramas!


 

spoony-e e spandy-3 contra as hordas roxas
por john kochalka

No meio de vários contos com grandes textos, esse história é, na verdade, uma composição de ilustração, fotografia e texto. Uma história em quadrinhos bem colorida sobre um super-herói grande e forte com cabeça de gato e um pequeno ser peludo que tem uma colher como arma e cara de bebê. Os dois precisam derrotar as hordas roxas (uma espécie de geleia maligna que abrem o crânio e suga o líquido dos olhos), mas o grandão quer fazer todo o trabalho sozinho. É um conto rápido e dinâmico, onde as ilustrações se encaixam perfeitamente no pouco texto.
* Vale 4 Camaradas de Batalha!


 

pássaro do sol
por neil gaiman

Se tem alguém que eu tenho muita vontade de gostar é Neil Gaiman. É tanta gente que gosta dele, tanto fã, tanto sucesso pros seus livros… Comecei a ler O Oceano no Fim do Caminho incentivado pelos comentários positivos de algumas pessoas, mas não consegui terminar o livro, por achar a leitura um pouco chata, confesso. Pássaro-do-Sol seria a chance de Neil Gaiman se redimir comigo, mas ele falhou novamente. A escrita do autor é um pouco arrastada e não me conquistou, mas tive uma surpresa com o desfecho que foi bem desenvolvido. Algumas coisas me pareceram mal-explicadas ao longo das páginas (okay, é um conto, mas talvez o material pudesse ser estendido ou a ideia pudesse ter gerado uma novela), o que resultou num saldo neutro.
* Vale 2,5 epicuristas! 


 

Foras da lei 3
o telefone da acse
por jeanne duprau

Se você tem o mínimo de amor por cachorros e outros animais, se segure e se prepare emocionalmente antes da leitura deste conto. A história é bonita, emociona e tem uma final feliz digno de contos de fadas, mas com uma pitada de realidade. Tudo começa quando o pequeno Martin encontra um celular perdido numa praça e tenta encontrar o dono, solitário, fugindo da sua aflitiva vida familiar com vários irmãos em um apartamento apertado. Quando ele começa a testar os números da discagem rápida é que a mágica começa. Não vou falar demais, mas posso adiantar que o trabalho da autora Jeanne DuPrau é incrivelmente emotivo.
* Vale 5 amigos que só fazem jogar videogame!


 

o sexo distrito
por jonathan safran foer

Este conto foi o grande motivo de comprar Foras da Lei Barulhentos. A história do Sexto Distrito é citada no livro Extremamente Alto & Incrivelmente Perto, do próprio Jonathan Safran Foer. Porém, a história aparece realmente só neste livro. Nova Iorque é dividida, atualmente, em cinco distritos, mas esta lenda conta de como era o local quando um sexto distrito estava presente e o que aconteceu para que ele desaparecesse. São vários fragmentos que compõem a história – a que mais me chamou a atenção e me emocionou foi a cena do casal que se comunicava por telefones de latas e barbante. No geral, o conto toca a gente e empolga (sendo um final calmo para a coletânea), mas minhas expectativas não foram atendidas. Esperava mais, por conta do outro livro do autor.
* Vale 4 árvores – a não mais que vinte e quatro passos na direção leste contando a partir da entrada do carrossel!

 


 

snicket começa, você termina
por lemony snicket

Novamente, Lemony Snicket cria um texto sem-graça com expressões repetitivas, do mesmo modo que a Introdução. Ele diz que tinha medo de terminar para que algo chato não acontece, então conta com os leitores para terminarem a história de um modo não-chato e que vale um parabéns nada chato para quem fizer o melhor trabalho. Chato, chato, chato de novo… A (metade da) história em si soa mais criativa e sincera, mesmo que em poucas linhas. Bom trabalho para o autor que deixa um boa premissa para o leitor: cinco amigos que se dispersam de um piquenique e acabam “no escuro” e “em uma situação perigosa”.


 

foras_da_lei_barulhentosn_bolhas_raivosa_1345561530bforas da lei barulhentos, bolhas raivosas e algumas outras coisas (…) – vários autores – cosac naify – 179 páginas

um livro para…
 dar algumas risadas, ficar pensativo e se espantar com o tamanho da criatividade dos autores.
combina com… final de semana, férias ou livro escondido dentro do livro de matemática.

 

Andre não é nem fora da lei, nem barulhento!

 

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