maldito e marginal

José Mojica Marins nasceu numa sexta-feira 13 e essa foi apenas sua primeira ligação com o terror. Depois disso, ainda vieram dezenas de filmes, programas de televisão, revistas, histórias e ideias escritas, pensadas, produzidas, filmadas por este talentoso artista. Mojica é bastante conhecido por ter criado e interpretado o personagem Zé do Caixão, mas o que além da aparência esquisita e das unhas enormes se sabe sobre ele?

André Barcinski e Ivan Finotti, depois de uma longa pesquisa e entrevistas, contam de modo apaixonado, sem distanciamentos, em Maldito, relançado pela Darkside Books numa edição de luxo, ricamente ilustrada e com filmografia atualizada, os passos do cineasta, desde a infância.


 

“Sozinho, “sem dinheiro e sem cultura”, como escreveu Rogério Sganzerla, Mojica realizou o sonho impossível: fazer cinema, a arte mais cara do planeta, num pais pobre, sem nunca ter estudado, sem contar com amigos influentes ou favores de quem quer que fosse.”


A história de José Mojica Marins é introduzida com os seus avós, passa pelos seus pais se conhecendo e começa “de verdade” quando eles se mudam para os fundos de um cinema – o pai, Antônio André, arranja um emprego como cuidador do local. É ali que, ainda criança, ele começa a gostar de cinema, ganha sua primeira câmera e começa a produzir pequenas gravações com os colegas da vizinhança. Autodidata, ele aprimorava seu trabalho durante o processo, procurando soluções para os problemas que apareciam na hora, já que passou muito tempo sem ter roteiros propriamente ditos ou uma maior organização.

Contudo, apesar de sempre procurar inovar na hora de contar suas histórias e buscar uma obra perfeita, seu trabalho acabava sendo limitado por alguns fatores. José Mojica nem sempre contava com investidores e chegou a deixar filmes pela metade por esse motivo. Quando os finalizava, cenas violentas, nudez e outros acontecimentos acabavam sendo censurados e cortados, comprometendo o resultado final que chegava aos cinemas (isso quando eram liberados para exibição ao público). E ainda, por conversar diretamente com o grande público (unindo a clareza de linguagem do rádio com cenas muito bem filmadas), era severamente rechaçado por boa parte dos críticos brasileiro da época – no exterior, entretanto, foi premiado e reconhecido.

Apesar de bater o desespero ou o nervosismo em alguns momentos, José Mojica Marins não desistia da arte de maneira alguma e esta é a lição mais importante que fica da vida deste homem. Ele foi persistente, mesmo vivendo no duro enquanto observava outras pessoas lucrando com a sua inocência.


 

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“Num país em que alguns cineastas fizeram seus pés-de-meia à custa de dinheiro público e ainda tem a cara de pau de reclamar do governo, José Mojica Marins dirigiu mais de trinta longa-metragens sem jamais contar com ajuda oficial. Aliás, o Estado brasileiro só fez prejudicá-lo, censurando e mutilando seus filmes.”


Ainda visto com olhares tortos por aqui, Zé do Caixão (e José Mojica Marins) é apresentado e explicado nesta obra de uma maneira bem clara pelos dois autores. Apesar das cabalísticas 666 páginas, o livro flui rapidamente sem precisar apelar para um conteúdo supérfluo, trazendo profundidade com notícias da época, recortes de críticas, informações sobre todas as obras do José Mojica (inclusive as que não chegaram a ser divulgadas) e dezenas e dezenas de imagens e fotografias.

Abordando tanto a vida do criador como do personagem, o lado profissional e também o pessoal, Maldito é indispensável para quem deseja conhecer este ser mitológico, tem curiosidade em saber mais sobre a história do cinema nacional ou gostaria de descobrir uma boa história – uma história real, mas onde a vida, a ficção e a paixão pela arte se mesclam e se confundem.


 

capa-ze-do-caixao-darksidezé do caixão: maldito – andré barcinski & ivan finotti – darkside books – 666 páginas

em 140 caracteres… uma obra extremamente rica sobre uma das figuras que mais merecem reconhecimento no Brasil.
um livro para… saber mais sobre o personagem Zé do Caixão, entender o passado do cinema nacional e descobrir segredos de filmagens.
depois da leitura… vale a pena passear várias vezes pelo extra “Mojicografia” no livro e procurar assistir os filmes do José Mojica Marins.

 

 

A Darkside Books é parceira do blog e enviou um exemplar deste livro como cortesia para que esta resenha acontecesse. Você pode conferir todo o catálogo da editora aqui e acompanhá-la no facebook, no twitter e no skoob.

 

Andre não comeria baratas pelo cinema.

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