a menina que não queria ser top model

{TW: Transtornos alimentares, bulimia}

Quando se fala em transtornos alimentares, como a anorexia, geralmente são colocados os exigentes padrões de beleza como principal culpado. Porém, como se trata de uma doença psíquica, que se relaciona com questões mentais, questões emocionais e outras tantas questões profundas, a razão dela existir nem sempre fica assim tão clara ou pode ser definida com tamanha facilidade. O desejo de emagrecer não deve ser encarado como a única resposta (além de que isto seria o resultado de um apagamento de outros transtornos alimentares, como a compulsão alimentar).

No caso do livro A menina que não queria ser top model, por exemplo, o relacionamento conturbado e cheio de cobranças de uma adolescente com sua mãe é o motivo principal para que a garota desenvolva bulimia.


“Aqui, da rocha onde estou sentada,
acompanhei o barco chegando e vejo agora os pescadores puxando a rede, cadenciadamente, como um balé.
Meus olhos ficam marejados, e uma sensação de plenitude me toma.
Mas dura pouco.
Minha mãe consegue me alcançar onde quer que eu esteja. Mesmo quando é só em pensamento, ela me invade, me perturba, me tira do sério, acaba com a minha paz.”


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Na história de Lia Zatz para a coleção Leituras Maduras, da Editora Biruta, Vitória sempre teve uma alimentação rigorosamente controlada pela mãe, Virgínia, baseada no que diziam especialistas da área da saúde em revistas femininas. Nada de açúcar, nada de óleo, nada de carne: uma dieta baseada em arroz integral, ameixa-preta, brotos de alfafa e espinafre.

Mais velha e cansada de tantas restrições, ela resolve sair dessa dieta sem sentido e descobrir outros sabores, aqueles que os amigos da escola aproveitavam nos intervalos do colégio. Contudo, começa assim um relacionamento conturbado da garota com a própria alimentação. Ela passa a tentar vomitar tudo que come, para que a mãe não perceba suas fugas. O resultado disso é um afastamento da família por um longo período, internada num hospital e, posteriormente, evitando a convivência com a mãe.

A Menina que Não Queria Ser Top Model começa depois de todos esses acontecimentos, quando mãe e filha estão tentando restabelecer contato, e vai mesclando cenas do passado com o presente, quando Vitória pede aos pais uma viagem com os amigos como presente de aniversário. Distante por um final de semana, ela consegue refletir sobre tudo que passou e sentir a liberdade de poder tomar decisões sem a intervenção de nenhum adulto. É visível o amadurecimento de Vitória nesses dias.


“A Vitória fica lutando contra mim, mas não percebe que está lutando contra ela mesma. E a psicóloga dá força para ela.
Me chamou para conversar três vezes e sempre pra me dar aula sobre o que é a adolescência, o que acontece na adolescência, as inseguranças da adolescência, o papel dos pais em relação aos filhos adolescentes.
Será que ela não percebe que eu também fui adolescente?”


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O mais interessante para mim, contudo, acabou sendo uma outra trama. Lia Zatz, quando narra as lembranças dos personagens, também tenta explicar porque a mãe de Vitória age desta maneira, sendo super protetora e exageradamente preocupada. É angustiante notar como os sonhos de Virgínia foram tolhidos pelo pai machista e autoritário. Estes capítulos de um passado mais distante não chegam a soar como uma tentativa de justificar a projeção dos sonhos da mãe na filha. Porém, a gente passar a entender outro lado dessa história é bem importante quando falamos de relacionamentos.

De leitura rápida, mas bem madura e cheia de reflexões e temáticas possíveis de serem discutidas, A Menina que Não Queria Ser Top Model é recomendado para pais que desejam entender um pouco mais seus filhos e para adolescentes que querem perceber de outra maneira a vida dos pais. Um livro tão sensível e delicado quanto são as relações em família.


A_MENINA_QUE_NAO_QUERIA_SER_TOP_MODEL_1325649674Ba menina que não queria ser top model – lia zatz – 156 páginas – editora biruta
em 140 caracteres… uma garota aprendendo a ser filha e uma filha aprendendo a ser mãe.
um livro para… repensar um pouco do nosso passado e nossas relações familiares.
combina com… pensamentos no passado e viagens com amigos!
para quem já leu… e está bem mais maduro, o livro e o filme “homens, mulheres & filhos” trazem novas reflexões sobre relações familiares na contemporaneidade.

 

A Biruta é parceira do blog e enviou um exemplar deste livro como cortesia. Você pode conhecer todo o catálogo da editora aqui e acompanhá-los no blog Biruta Gaivota, no Facebook e no Instagram.

 

Andre nunca viajou para acampar.

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