4+1 | exorcismo

Existem algumas coisas que a ciência não consegue explicar e parece tentar ficar distante. Porém, ainda assim, elas acontecem. Possessão é uma delas. O que se tornam as pessoas que morrem? É possível se comunicar com espíritos? O que acontece quando o corpo de alguém é invadido por outro espírito? Como funciona um exorcismo? Se você gostaria de saber as respostas destas perguntas, o livro Exorcismo, de Thomas B. Allen, pode ser para você.

 


4 motivos para amar…

1) história real

Robert Manheim é um garoto de 14 anos que começou a se envolver com espíritos por causa de sua tia, que era adepta do espiritualismo e sempre estimulou o menino a tentar reconhecer habilidades de médium e se comunicar com os mortos. Porém, o que acontece é que o garoto acaba sendo possuído, depois de brincar com uma tábua de Ouija.

Esta pode parecer uma história de ficção, mas é realidade. O caso realmente aconteceu, em 1949, mas os nomes de todas as pessoas envolvidas foram mudados, para garantir privacidade e segurança.

A história ganhou tanta repercussão que chegou aos ouvidos de Willian Peter Blatty e inspirou o livro clássico O Exorcista, adaptado para os cinemas por William Friedkin. Porém, somente neste livro que você descobre todos os detalhes que realmente aconteceram – e são bastante aterrorizantes, mesmo não envolvendo cabeças girando em 360 graus ou vômito verde.

exorcismo 1

 


2) pesquisa e aprofundamento

O trabalho de Thomas B. Allen em toda a construção do livro é outra qualidade que precisa ser ressaltada aqui. O jornalista pesquisou a fundo tudo que aconteceu, entrevistando a família, vizinhos, amigos, padres, pastores e todos que se relacionaram de alguma forma com todas estas pessoas.

Além disso, Exorcismo ainda traz uma série de documentos confidenciais, reproduções de textos da Igreja Católica (como o manual do Vaticano para a a identificação e a expulsão de demônios e realização dos exorcismos), o contexto histórico daquela época, o que diferentes religiões pensam sobre a possessão e a comunicação com espíritos, a trajetória da Igreja Católica em relação ao tema… O registro impressiona por tamanha profundidade que o autor conseguiu trazer.

 


“Escrevi este livro como um jornalista que tenta contar uma história da maneira mais direta e minuciosa possível.
Nunca antes tinha sentido a necessidade de mostrar minhas credenciais dessa maneira.
No entanto, queria que meus leitores soubessem que o que eles leram foi escrito por um agnóstico criado como católico, educado por jesuítas e que ainda se pergunta a respeito do significado de spiritus.”

 


3) o diário do exorcista

O principal desses documentos e citações com certeza é o Diário do Exorcista, que ocupa praticamente toda a segunda metade do livro. Aqui temos tudo que o padre envolvido no caso achou importante narrar sobre o que estava acontecendo com os Manhein, conforme as instruções dadas pelos seus superiores. Quando o corpo do garoto começa a ser coberto por palavras, quando os objetos voam pelos ares e quando ocorrem outras manifestações demoníacas acontecem. Está tudo ali registrado.

É interessante ver a visão impessoal do autor Thomas B. Allen sobre o caso, mas as narrações do padre me causaram um sentimento um pouquinho mais estranho – não sei explicar bem o que é.

(Uma dica: pode ser interessante ler o texto do jornalista e o diário do exorcista com certo espaçamento de tempo entre uma coisa e outra, já que são bem parecidas na essência e podem causar uma sensação desagradável de dèjá vu; outra opção é intercalar as duas partes e ir progredindo aos poucos nas duas.)

 


4) o capricho da edição

A Darkside Books sempre consegue interpretar muito bem o clima dos livros que ela publica e transmitir isso pro projeto gráfico, todos já sabemos. Porém, conseguiram levar tudo isso a um novo nível quando se trata de Exorcismo. A capa (dura!) engana pelos riscos e texturas e, acompanhando isso, toda a parte interna e os abres dos capítulos também são marcados por arranhões. Para completar, a folha de guarda traz uma representação de uma tábua de Ouija, que pode ser encarada pelos leitores mais corajosos com o marcador que simula uma planchette.

exorcismo 2.png

 


…e um para nem tanto

O motivo que pode deixar muita gente frustrada com este livro é o fato dele não ser um livro de terror propriamente dito. Isso quer dizer que não irei me assustar? Daí depende de você e como você encara o tema.

Existem alguns momentos com descrições bem visuais e coisas acontecendo de forma misteriosa, sem explicação alguma, o que pode causar uma sensação desconfortável. Algumas cenas me deixaram um pouco perturbado e aflito, mas o medo em si não me acompanhou nesta leitura. A escrita do Thomas B. Allen, densa, me deixava imerso na história, cheio de curiosidade para saber os próximos acontecimentos da história, as próximas etapas do ritual, e me deu muitas sensações diferentes, mas não sustos, arrepios ou pavor.

Recomendo a leitura para quem tem interesse no tema e esteja disposto a encarar uma espécie de documentário bem detalhado sobre exorcismo, mas não para quem quer apenas uma história que entretém ou tenta te prender utilizando cliffhangers, momentos escabrosos.


 

exorcismo capaexorcismo – thomas b. allen – 254 páginas – darkside books

em 140 caracteres… um dossiê profundo sobre um caso de possessão específico e o tema do exorcismo como um todo.
um livro para… quem tem curiosidade com o tema e não se importa em despender um tempo a mais para digerir os acontecimentos de uma história, já que tudo é bem denso.
combina com… a fé e o sobrenatural.
para quem já leu… pode ser interessante analisar e comparar esta história real com as versões ficcionais que a gente vê por aí em outros livros e no cinema.

 

A Darkside Books é parceira do blog e enviou um exemplar deste livro como cortesia. Conheça mais do catálogo da editora clicando aqui e a acompanhe no Facebook e no Twitter.

 

Andre nunca enxergou espíritos.

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