diário de viagem: desatino do norte e do sul

Nunca se falou tanto em wanderlust. O desejo de viajar é o que move várias pessoas ultimamente para os mais diversos destinos do mundo. Não é difícil encontrar um blogueiro brasileiro vivendo em outra parte do mundo, fazendo intercâmbio ou compartilhando as viagens que fez para algum país europeu.

Também gostar de passear por aí, conhecer novos lugares, novas pessoas e outras culturas. Resolvi, então, inaugurar uma categoria com as minhas viagens aqui no andrecefalia, por que não? Hoje, contarei para vocês de quando visitei duas cidades bem perto do Meio do Mundo: Desatino do Norte e Desatino do Sul. Pega o bloco de notas que darei várias dicas para quem deseja seguir viagem também.

desatino do norte

Desatino do Norte é uma cidade quente, seca e árida, logo, opte por utilizar roupas leves e frescas. Há muitos anos não chove nesta cidade e, além de um sistema hidráulico muito complicado puxar água de não sei lá onde, não existem lagos, mares, rios, poças, nada molhado por perto. Por ser escasso, o produto é demasiado caro na região e, por isso, é importante levar uma garrafinha do líquido na mochila.

Entre os destaques da cidade, além de uma bela vista nos dias de lua (já que não há nuvens por perto), temos a Biblioteca Nacional. No local, é possível conhecer milhares de histórias e personagens em centenas de volumes da literatura brasileira e estrangeira, incluindo exemplares raros e antiquíssimos, escritos em inglês arcaico. A Biblioteca Nacional é administrada pelo Seu Erudito, que mora entre as prateleiras. Pai de três mulheres, homenageou seus livros preferidos ao batizá-las: Divina (de A Divina Comédia), Odisseia (de Homero) e Aventura (seu gênero preferido). A última é mãe de Luna Clara, uma garota que nunca conheceu o pai, Doravante, e que recebeu esse nome a contragosto do velho.


desatino do sul

Desatino do Sul é uma cidade famosa por promover a maior festa da história de todas as festas. Toda a economia da cidade é pautada pela comemoração do nascimento de Apolo Onze, o 11º Apolo da família. É uma tradição comemorar o nascimentos dos Apolos da família e, desde que Madrugada ficou grávida pela primeira vez, o senhor Apolo Dez tem poupado dinheiro para o evento. O que eles não esperavam é que ganhassem 7 maravilhosas filhas até que chegasse o menino. E lá se vão 12 anos de festa com toda a grana acumulada…

A única exigência para entrar na festa é que o traje seja bonito, mas também aconselho que se use sapatos confortáveis, para poder dançar e não ficar com bolhas nos pés. Também é bom ir descansado e se preparar porque a festa nunca para. 24 horas de cachorros-quentes, galetos, amendoins, doces, bebidas… Sempre acompanhados de muita música com todos os canteiros da região.


meio do mundo

Para quem gosta de lugares esquisitos, perto do meio do mundo encontra-se uma casa dita mal-assombrada. Suspeita-se que uma Velha seja moradora da casa, mas ninguém nunca a enxergou realmente. Porém, várias pessoas já viram a matilha de cães nervosos que ela cria, o que pode tornar o passeio perigoso. Quanto ao acidente que aconteceu anos atrás, no mesmo dia em que a última chuva caiu naquela região, todos podem se despreocupar: a ponte já foi reconstruída e não existem problemas para atravessá-la.

Contudo, apesar de estar cercado por personagens interessantes de um lado e por uma festa que nunca acaba do outro, o local tem uma fama peculiar e é chamado de Vale da Perdição, pois todos que passam por lá perdem alguma coisa. Aconselho que estejam atentos e comuniquem às autoridades locais se sentirem falta de alguma coisa (o que certamente acontecerá). Doravante, que é pai de Luna Clara (mas nunca a conheceu e nem sabe de sua existência), perdeu a sua sorte ao atravessar o local; Aventura se desencontrou de seu amor; Seu Erudito esqueceu-se de todas as 45.578 histórias que colecionava na mente… No meu caso, perdi o senso de organização e planejamento.


 

Livro-Luna-Clara-Apolo-Onze-Adriana-Falcao-2546669diário de viagens imaginárias
passagem: luna clara & apolo onze
guia: adriana falcão
companhia aérea: editora salamandra
duração: 330 páginas

 

Andre não tem olhar de vaga-lumes.

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