a fábula da última guerra

Miguel é um adolescente perdido num mundo apocalíptico – um apocalipse provocado pelos homens, uma guerra na qual perdeu toda a sua família para a destruição. Quando se vê solitário, ele corre pelo jardim, tenta pedir socorro, desce e sobe a rua e, a princípio, não encontra ninguém que pudesse o ajudar. Até que esbarra num velho que recolhe objetos pela rua.

Primeiro, vem a desconfiança. Depois, o encontro acaba se mostrando como a única forma de acabar com o arrasamento do mundo. Mas, para isso, Miguel precisa resolver não somente o conflito externo, armado. Há uma guerra dentro dele que precisa ser vencida. Ele precisa aniquilar todas as suas dúvidas. É necessário uma decisão.


“Desde que minha casa foi destruída, vivo nas ruas, sem amigos, escondido de todos. E já faz tempo que ando a esmo.
Ora durmo aqui, ora ali, quase sempre sob os escombros.
Ontem, por exemplo, dormi na sala de aula de uma escola abandonada. Me alimento com o que me dão pra comer ou com o que consigo roubar.
Agora sou só eu e esta mochila, que achei por aí. Tudo que tenho na vida está dentro dela.”

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O clima em A Última Guerra é de tensão. O livro caminha o tempo todo, rapidamente, como uma contagem regressiva. A cada página, novas questões precisam ser exploradas e segredos são revelados para que o mundo não acabe ali. É interessante notar também que tudo acontece focando ações e pensamentos – não há espaço para grandes descrições, contudo a rapidez com que tudo acontece já deixa clara a urgência com que a temática precisa ser tratada.

Miguel conhece o personagem que segue as páginas ao lado dele no meio da história. Existe desconfiança e preconceito, porém juntos eles tem a oportunidade de mudar o mundo e acabar com a guerra. Miguel, então, precisa ser mais corajoso e confiar nesse desconhecido. Uma mensagem interessante sobre não se render às aparências e procurar mais profundidade nas pessoas com quem você convive.

Sem muitas explicações convincentes, com um pano de fundo raso e uma quantidade de diálogos enorme, o livro pode deixar a desejar.
Porém, funciona bem como uma fábula. O ar é fantasioso e a violência e a destruição levam tudo às últimas consequências. O “exagero” aqui é uma ferramenta dos autores, Luis Braz e Tereza Yamashita, para deixarem em claro um posicionamento antibélico – ou, mais do que isso, a possibilidade e a responsabilidade que todos temos para construir um mundo diferente, novo, mais tolerante e respeitoso.
O fim da guerra precisa partir da gente.


465555_231107557005250_1356611430_oa última guerra – luiz bras e tereza yamashita – 112 páginas – editora biruta
em 140 caracteres… uma história sobre guerra diferente e inusitada, que levanta um bom ponto mas deixa alguns furos.
um livro para… ler de uma única vez, vivendo a mesma emergência dos personagens.
combina com… barriga feliz, indecisões e esconderijos.

A Biruta é parceira do blog e enviou um exemplar deste livro como cortesia. Você pode conhecer todo o catálogo da editora aqui e acompanhá-los no blog Biruta Gaivota, no Facebook e no Instagram.

Andre é um felizardo.

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labirinto – a magia do tempo

Todo mundo que tem um irmão já deve ter se perguntado alguma vez sobre como sua vida seria diferente se fosse um filho único. Às vezes, incomoda ter por perto alguém com quem se é facilmente comparado, ou com quem se é preciso dividir todas as coisas, ou ter alguém para tomar conta quando, na verdade, você não se vê com responsabilidade o bastante para cuidar nem de você mesmo.

Sarah, cansada de precisar cuidar do irmão pequeno sempre que o pai e a madrasta saem de casa, se sente injustiçada e resolve apelar para um livro de couro avermelhado e letras douradas (te lembra alguma edição da DarkSide Books?). No livro, encontra as palavras que precisava – “Rei dos Duendes! Quero que seja assim: Venha e leve esta criança para bem longe de mim!” – ou algo do tipo. E o que ela mais desejava acontece.

Jareth, o Rei dos Duendes, já velho, cansado de estar cercado somente por duendes desorganizados e desatentos e preocupado com quem dará sequência ao seu reinado, leva Toby, o irmão de Sarah, para seu mundo disposto a criar o garoto a vida inteira já com essa missão em mente.

Quando percebe a força de suas palavras, Sarah cai em si, se arrepende e diz a Jareth que ela nem queria tanto assim que o irmãozinho desaparecesse. Tarde demais, ele informa. Porém, generoso (e bem ciente de que ela jamais conseguiria realizar tal feito) oferece que ela busque o garoto em seu grande castelo, depois de atravessar um labirinto tenebroso, em até treze horas. Se este tempo acabar, suas palavras serão seladas como um acordo sem volta e o garoto virará um duende para sempre.


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“Sarah sentiu as lágrimas subindo aos olhos, mas se livrou delas piscando várias vezes. Ela conseguiria.
Não havia limites para o que era capaz de fazer, dada sua determinação (coisa que ela certamente tinha) e sua esperteza (algo que nunca lhe havia faltado até ali, embora admitisse que em apuros mais comuns), e talvez um pouco de sorte (que ela merecia, não é?).
Ela conseguiria, jurou ali, sentada na encosta escura, sem a menor ideia de como dar o próximo passo.


Labirinto é uma daquelas histórias que dá gosto de ler, sempre na expectativa de que algo mais maluco e divertido aconteça. Isto porque o cenário é bastante mutável e sofre várias transformações o tempo inteiro. Dependendo das esquinas que Sarah escolhe virar ou das paredes que ela resolve atravessar, ela pode encontrar tanto um abismo fedorento quanto um jardim onde está acontecendo uma grande festa. Em cada lugar, novos amigos, inimigos, enigmas e desafios a serem resolvidos para que ela continue sua viagem em busca do castelo de Jareth.

O Labirinto também guarda uma série de personagens bem característicos de livros infantis, todos com adjetivos interessantes, aparecendo e desaparecendo ao longo da jornada de Sarah. Batedores que falam, um guarda da ponte que só permite atravessar quem responde seus enigmas, os aloprados Foguentos, as cabeças voadoras dos aloprados Foguentos, um senhor peludo de aparência cavalheiresca, um animal gigante que procura por apego emocional…
É legal ver também como foi criada a versão destes seres no que se diz respeito ao filme. Para isso, a gente pode ver os esboços e ilustrações de Brian Froud. A edição de Labirinto traz algumas páginas com uma galeria de imagens conceituais utilizadas na produção do longa e criação dos bonecos.

Esta edição do livro também traz rascunhos de Jim Henson, o criador dessa coisa toda. O diretor associou seu interesse por mitologia e folclore e seu gosto por jornadas encantadas (como a de Alice no País das Maravilhas e O Mágico de Oz) para criar seu segundo filme de fantasia, o sucessor de O Cristal Encantado, também uma parceria com Brian Froud.
Em várias páginas que reproduzem o Diário de Criação de Henson, a gente pode notar que, em seus rabiscos, mesmo tendo consciência de que uma boa história era o que mais importava em um filme, ele preferiu optar por começar criando fichas e descrições de personagens, cenários e dos perigos que apareceriam no meio do caminho de Sarah. Para quem gosta de descobrir sobre métodos de criação e criatividade ou é um fã de Labirinto e quer saber mais sobre como ele foi criado, essas páginas são um grande presente.


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“Sarah tentava descobrir em que ponto deveria ter feito uma escolha diferente.
Era impossível.”


Enquanto Jim Henson e Brian Froud conseguiram criar uma narrativa divertida através de músicas, cores, bonecos e cenários, A.C.H. Smith conseguiu dar uma roupagem gostosa e leve para a história somente através de suas palavras, embarcando no psicológico dos personagens e transmitindo muito bem a essência do universo já criado.
Indicado tanto para aqueles que já são fãs do filme quanto para aqueles que nunca tiveram contato, Labirinto é uma história sobre como nossas escolhas influenciam nosso futuro e como devemos tomar cuidado com o que desejamos, com quem encontramos no nosso caminho e, principalmente, com seres que tem as cabeças soltas do pescoço.


labitintelabirinto – a.c.h. smith (romance), brian froud (galeria de ilustrações) e jim henson (diário de criação) – 272 páginas – darkside books

em 140 caracteres… uma história de aventura e fantasia sobre o poder dos nossos sonhos e sobre ter responsabilidade por nossas decisões.
um livro para… ficar preso e angustiado com a jornada da protagonista, mas também rir com os tiques e características dos personagens ao seu redor.
combina com… corridas contra o tempo, chá e anões.

A Darkside Books é parceira do blog e enviou um exemplar deste livro como cortesia. Conheça mais do catálogo da editora clicando aqui e a acompanhe no Facebook e no Twitter.

Andre não fica aloprado quando o chamam de aloprado.

diário de viagem: desatino do norte e do sul

Nunca se falou tanto em wanderlust. O desejo de viajar é o que move várias pessoas ultimamente para os mais diversos destinos do mundo. Não é difícil encontrar um blogueiro brasileiro vivendo em outra parte do mundo, fazendo intercâmbio ou compartilhando as viagens que fez para algum país europeu.

Também gostar de passear por aí, conhecer novos lugares, novas pessoas e outras culturas. Resolvi, então, inaugurar uma categoria com as minhas viagens aqui no andrecefalia, por que não? Hoje, contarei para vocês de quando visitei duas cidades bem perto do Meio do Mundo: Desatino do Norte e Desatino do Sul. Pega o bloco de notas que darei várias dicas para quem deseja seguir viagem também.

desatino do norte

Desatino do Norte é uma cidade quente, seca e árida, logo, opte por utilizar roupas leves e frescas. Há muitos anos não chove nesta cidade e, além de um sistema hidráulico muito complicado puxar água de não sei lá onde, não existem lagos, mares, rios, poças, nada molhado por perto. Por ser escasso, o produto é demasiado caro na região e, por isso, é importante levar uma garrafinha do líquido na mochila.

Entre os destaques da cidade, além de uma bela vista nos dias de lua (já que não há nuvens por perto), temos a Biblioteca Nacional. No local, é possível conhecer milhares de histórias e personagens em centenas de volumes da literatura brasileira e estrangeira, incluindo exemplares raros e antiquíssimos, escritos em inglês arcaico. A Biblioteca Nacional é administrada pelo Seu Erudito, que mora entre as prateleiras. Pai de três mulheres, homenageou seus livros preferidos ao batizá-las: Divina (de A Divina Comédia), Odisseia (de Homero) e Aventura (seu gênero preferido). A última é mãe de Luna Clara, uma garota que nunca conheceu o pai, Doravante, e que recebeu esse nome a contragosto do velho.


desatino do sul

Desatino do Sul é uma cidade famosa por promover a maior festa da história de todas as festas. Toda a economia da cidade é pautada pela comemoração do nascimento de Apolo Onze, o 11º Apolo da família. É uma tradição comemorar o nascimentos dos Apolos da família e, desde que Madrugada ficou grávida pela primeira vez, o senhor Apolo Dez tem poupado dinheiro para o evento. O que eles não esperavam é que ganhassem 7 maravilhosas filhas até que chegasse o menino. E lá se vão 12 anos de festa com toda a grana acumulada…

A única exigência para entrar na festa é que o traje seja bonito, mas também aconselho que se use sapatos confortáveis, para poder dançar e não ficar com bolhas nos pés. Também é bom ir descansado e se preparar porque a festa nunca para. 24 horas de cachorros-quentes, galetos, amendoins, doces, bebidas… Sempre acompanhados de muita música com todos os canteiros da região.


meio do mundo

Para quem gosta de lugares esquisitos, perto do meio do mundo encontra-se uma casa dita mal-assombrada. Suspeita-se que uma Velha seja moradora da casa, mas ninguém nunca a enxergou realmente. Porém, várias pessoas já viram a matilha de cães nervosos que ela cria, o que pode tornar o passeio perigoso. Quanto ao acidente que aconteceu anos atrás, no mesmo dia em que a última chuva caiu naquela região, todos podem se despreocupar: a ponte já foi reconstruída e não existem problemas para atravessá-la.

Contudo, apesar de estar cercado por personagens interessantes de um lado e por uma festa que nunca acaba do outro, o local tem uma fama peculiar e é chamado de Vale da Perdição, pois todos que passam por lá perdem alguma coisa. Aconselho que estejam atentos e comuniquem às autoridades locais se sentirem falta de alguma coisa (o que certamente acontecerá). Doravante, que é pai de Luna Clara (mas nunca a conheceu e nem sabe de sua existência), perdeu a sua sorte ao atravessar o local; Aventura se desencontrou de seu amor; Seu Erudito esqueceu-se de todas as 45.578 histórias que colecionava na mente… No meu caso, perdi o senso de organização e planejamento.


 

Livro-Luna-Clara-Apolo-Onze-Adriana-Falcao-2546669diário de viagens imaginárias
passagem: luna clara & apolo onze
guia: adriana falcão
companhia aérea: editora salamandra
duração: 330 páginas

 

Andre não tem olhar de vaga-lumes.

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vírus tropical – power paola

A mãe acredita na visão do futuro através da leitura de peças de dominós. O pai já foi padre e hoje celebra missas clandestinas dentro de casa. Uma irmã é totalmente rebelde e depravada. A outra é santinha e recatada. E, no meio de todos esses personagens icônicos, Paola, a caçula, nascida de uma gravidez acidental (que foi confundida com um vírus tropical), tenta encontrar quem ela é e em quem se espelhar.

Vírus Tropical é uma história autobiográfica da ilustradora que assina como Power Paola, contando sobre como foi se ver no meio dessa família tão peculiar e ainda morar em diversos países quando precisava de referenciais firmes para formar sua identidade. Super recomendada, o traço da Paola é cheio de detalhes e o visual da graphic novel acaba sendo de encher os olhos.

capa 1.jpgvírus tropical – power paola – 160 páginas – editora nemo
em 140 caracteres… uma saga familiar engraçada e bem ritmada e que gera identificação apesar das peculiaridades.
um livro para… observar com calma cada detalhezinho das ilustrações!
combina com… uma viagem pela América Latina e dias quentes de ócio!
para quem já leu… os livros da coleção Otra Língua, da editora Rocco.


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placas tectônicas – margaux motin

Também autobiográfica, Placas Tectônicas começa quando Margaux Motin se divorcia do marido aos trinta e poucos anos. A partir daí, ela acaba precisando redescobrir o mundo, solteira depois de tanto tempo e agora criando sozinha a filha pequena. Bem humorada, ela brinca aqui com situações do cotidiano e com a inabilidade de se adequar à sua realidade atual. E, apesar de seguirem certa cronologia, esta edição funciona com mini histórias – algumas delas chegam a ter apenas uma página.

O que mais me chamou a atenção em Placas Tectônicas é o estilo de ilustração da artista, com certeza. As páginas não tem os quadrinhos definidos e os desenhos e cenas se misturam em algumas delas. Já outras tem ilustrações enormes, sendo utilizada para uma única cena. Fora as intervenções em fotografias! Sério, é tudo lindo!

capa 2.jpgplacas tectônicas – margaux motin – 256 páginas – editora nemo
em 140 caracteres… uma história sobre acompanhar as mudanças na sociedade através do tempo!
um livro para… acreditar no amor depois dos 30!
combina com… palavrões, crianças barulhentas!
para quem já leu… o blog da margaux motin segue o mesmo estilo e dinâmica deste livro e é atualizado com tirinhas periodicamente! visite aqui.


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como eu realmente – fernanda nia

Como eu realmente… nasceu na internet, num blog alimentado por Fernanda Nia. Nele, Fernanda traz tirinhas onde sua versão ilustrada, a Niazinha, passa por diversos momentos comuns, mas encara isso de maneira diferente. Pela editora Nemo, a autora lançou uma reunião de tirinhas já conhecidas e inéditas, divididas em capítulos temáticos.

A autora aproveita a liberdade que tem com a literatura para desenhar os pensamentos e esclarecer o que ela realmente tinha vontade de fazer, dizer ou seja lá o que for. Outras tirinhas, brincam com expectativa e realidade. Nos dois volumes, Fernanda também cria outros personagens (como uma fangirl e um cara sem desconfiômetro) e dá voz à sua gatinha de estimação, a Srta. Garrinhas. É divertido e ótimo para passar o tempo.

capa 3.1capa 3.2como eu realmente…: volumes 1 e 2 – fernanda nia – 80 páginas cada – editora nemo
em 140 caracteres… como seria o mundo se a gente pudesse viver na nossa própria imaginação!
um livro para… se identificar e rir do cotidiano!
combina com… feminismo, fantasia e divagações!
para quem já leu… o blog da fernanda nia ainda recebe novidades sempre. visite aqui!


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primeiras vezes – sibylline

Primeiras Vezes é uma antologia com dez histórias eróticas, todas escritas pela roteirista Sibylline. A ilustração, porém, passa por outros artistas franceses (Alfred, Capucine, D’Aviau, Augustin, Vince, Rica, Vatine, Pedrosa, Bertail e McKean). Dessa maneira, cada conto é dosado e passa sensações diferentes, de acordo com o traço do ilustrador.

Como diz o título, todas as histórias falam de primeiras experiências: a primeira relação sexual, a primeira vez numa sex shop, o primeiro ménage… Sempre protagonizados por mulheres, nos contos elas ganham vida e profundidade, tomam decisões e não estão numa trama de maneira hiper sexualizada ou apenas para deleite masculino. Destaque para a história protagonizada por uma boneca inflável, que, apesar de ter certo tom de sensualidade, consegue emocionar.

capa 4primeiras vezes – sibylline – 112 páginas – editora nemo
em 140 caracteres… uma série de histórias eróticas onde, diferentemente da maioria, as mulheres não são apenas objetos pelo prazer do homem!
um livro para… se ler com uma mão só!
combina com… reações físicas, cama de casal e meia-luz!
para quem já leu… fica a inspiração, rs.


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bear – bianca pinheiro

De alguma maneira desconhecida, a pequena Raven conseguiu se perder dos seus pais. Agora, ela precisa reencontrá-los e conseguir voltar para casa, acompanhada apenas por Dimas, um urso preguiçoso e mal-humorado. Para isso, ela vai caminhar pelo mundo, conhecer diversas cidades com características excêntricas.

No primeiro volume de Bear, a dupla passa por uma cidade cercada por charadas (e aproveita o momento para falar de um governo autoritário e déspota). Já no volume 2, ela fala de responsabilidades e a importância de viver direitinho cada fase da vida quando Raven e Dimas conhecem uma cidade onde todos os adultos viraram crianças.

O traço de Bianca Pinheiro é muito fofo e a história é uma graça, muito criativa e cheia de referências a outras histórias e elementos da cultura pop. É impossível terminar e não ficar esperando uma próxima edição!

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bear: volumes 1 e 2 – bianca pinheiro – 64 e 80 páginas, respectivamente – editora nemo

em 140 caracteres…
 uma aventura engraçadinha, que vai agradar tanto crianças quanto adultos.
um livro para… ficar torcendo pelos dois amigos, mas com medo do que pode acontecer quando raven encontrar os pais. será que precisará se despedir de dimas?
combina com… enigmas, trilhas na floresta e filmes da sessão da tarde!

para quem já leu…
 vale aguardar por um volume para guardar na estante enquanto lê as páginas que ainda serão publicadas! elas são disponibilizadas aos poucos neste tumblr, em versão com gifs animados, e o capítulo três já começou!


Andre queria ser amigo de um urso.

a menina que não queria ser top model

{TW: Transtornos alimentares, bulimia}

Quando se fala em transtornos alimentares, como a anorexia, geralmente são colocados os exigentes padrões de beleza como principal culpado. Porém, como se trata de uma doença psíquica, que se relaciona com questões mentais, questões emocionais e outras tantas questões profundas, a razão dela existir nem sempre fica assim tão clara ou pode ser definida com tamanha facilidade. O desejo de emagrecer não deve ser encarado como a única resposta (além de que isto seria o resultado de um apagamento de outros transtornos alimentares, como a compulsão alimentar).

No caso do livro A menina que não queria ser top model, por exemplo, o relacionamento conturbado e cheio de cobranças de uma adolescente com sua mãe é o motivo principal para que a garota desenvolva bulimia.


“Aqui, da rocha onde estou sentada,
acompanhei o barco chegando e vejo agora os pescadores puxando a rede, cadenciadamente, como um balé.
Meus olhos ficam marejados, e uma sensação de plenitude me toma.
Mas dura pouco.
Minha mãe consegue me alcançar onde quer que eu esteja. Mesmo quando é só em pensamento, ela me invade, me perturba, me tira do sério, acaba com a minha paz.”


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Na história de Lia Zatz para a coleção Leituras Maduras, da Editora Biruta, Vitória sempre teve uma alimentação rigorosamente controlada pela mãe, Virgínia, baseada no que diziam especialistas da área da saúde em revistas femininas. Nada de açúcar, nada de óleo, nada de carne: uma dieta baseada em arroz integral, ameixa-preta, brotos de alfafa e espinafre.

Mais velha e cansada de tantas restrições, ela resolve sair dessa dieta sem sentido e descobrir outros sabores, aqueles que os amigos da escola aproveitavam nos intervalos do colégio. Contudo, começa assim um relacionamento conturbado da garota com a própria alimentação. Ela passa a tentar vomitar tudo que come, para que a mãe não perceba suas fugas. O resultado disso é um afastamento da família por um longo período, internada num hospital e, posteriormente, evitando a convivência com a mãe.

A Menina que Não Queria Ser Top Model começa depois de todos esses acontecimentos, quando mãe e filha estão tentando restabelecer contato, e vai mesclando cenas do passado com o presente, quando Vitória pede aos pais uma viagem com os amigos como presente de aniversário. Distante por um final de semana, ela consegue refletir sobre tudo que passou e sentir a liberdade de poder tomar decisões sem a intervenção de nenhum adulto. É visível o amadurecimento de Vitória nesses dias.


“A Vitória fica lutando contra mim, mas não percebe que está lutando contra ela mesma. E a psicóloga dá força para ela.
Me chamou para conversar três vezes e sempre pra me dar aula sobre o que é a adolescência, o que acontece na adolescência, as inseguranças da adolescência, o papel dos pais em relação aos filhos adolescentes.
Será que ela não percebe que eu também fui adolescente?”


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O mais interessante para mim, contudo, acabou sendo uma outra trama. Lia Zatz, quando narra as lembranças dos personagens, também tenta explicar porque a mãe de Vitória age desta maneira, sendo super protetora e exageradamente preocupada. É angustiante notar como os sonhos de Virgínia foram tolhidos pelo pai machista e autoritário. Estes capítulos de um passado mais distante não chegam a soar como uma tentativa de justificar a projeção dos sonhos da mãe na filha. Porém, a gente passar a entender outro lado dessa história é bem importante quando falamos de relacionamentos.

De leitura rápida, mas bem madura e cheia de reflexões e temáticas possíveis de serem discutidas, A Menina que Não Queria Ser Top Model é recomendado para pais que desejam entender um pouco mais seus filhos e para adolescentes que querem perceber de outra maneira a vida dos pais. Um livro tão sensível e delicado quanto são as relações em família.


A_MENINA_QUE_NAO_QUERIA_SER_TOP_MODEL_1325649674Ba menina que não queria ser top model – lia zatz – 156 páginas – editora biruta
em 140 caracteres… uma garota aprendendo a ser filha e uma filha aprendendo a ser mãe.
um livro para… repensar um pouco do nosso passado e nossas relações familiares.
combina com… pensamentos no passado e viagens com amigos!
para quem já leu… e está bem mais maduro, o livro e o filme “homens, mulheres & filhos” trazem novas reflexões sobre relações familiares na contemporaneidade.

 

A Biruta é parceira do blog e enviou um exemplar deste livro como cortesia. Você pode conhecer todo o catálogo da editora aqui e acompanhá-los no blog Biruta Gaivota, no Facebook e no Instagram.

 

Andre nunca viajou para acampar.

o baú

Quando mais novo, Quim era exageradamente fascinado por histórias com piratas buscando por tesouros escondidos, lutando em alto mar, sendo enganados por sereias… Sempre ao descobrir novas tramas e caçadas ficava a vontade de partir, seguir sem rumo, enfrentar perigos, se tornar um herói, ser como um desses aventureiros.

Ao ficar mais velho, não conseguia se adaptar a nenhuma ideia de trabalho fixo, com horário marcado e um salário mínimo – enquanto isso seu irmão já se esforçava por horas num escritório para agradar aos pais. Cansado, Quim desiste de tentar uma vida “certinha”, definida por outras pessoas e convenções sociais, e sai de casa sem deixar nenhum aviso prévio.

Vez ou outra ainda chegavam postais, cartas e mensagens dos mais diversos pontos do mapa para a sua família. Mas Quim tanto imaginou que acabou também se tornando uma das lendas que o maravilhava…

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“Leandro ficava longos períodos sem notícias do irmão,
depois ele escrevia, sempre alegando que havia andando doente… ou se recuperando de ferimentos, de envenenamentos, de feitiços…
(…)
“Fazia então uns dezessete anos que ele havia partido, quando as notícias pararam de vez.””


 

A história de O Baú do Tio Quim, escrito por Luiz Antonio Aguiar, começa quando um baú antigo chega na casa da família de Leandro, o irmão centrado, com o nome de Quim no remetente. Porém (apesar de nunca terem encontrado seu corpo no oceano após o naufrágio de seu navio no lugar com a maior concentração de tubarões do mundo) todos acreditavam na morte de Quim. Mais de 10 anos se passaram sem nenhum contato – até que surge um baú enorme.

Quem acaba tendo mais contato com o objeto é Dedá, a filha adolescente de Leandro, que está vivendo a fase de descobrir o amor e os relacionamentos. Ela acaba se incomodando com o objeto ocupando espaço no seu quarto, mas ainda mantém certa curiosidade sobre o que ele guarda, principalmente porque conhece todas as histórias de bruxas e demônios que o tio perseguiu pelo mundo. Além disso, ela fica ainda mais atiçada quando alguns fatos estranhos começam a acontecer por ali.


 

“Três e trinta e três da madrugada.
Dedá viu a hora no relógio digital da cozinha e achou a combinação de número meio agourenta.
Sentiu um calafrio,
sem entender por que tinha acordado de olhos arregalados,
algo dizendo para ela se levantar e ir ver o que estava acontecendo
(Por quê? O que está acontecendo?)
Como não era a primeira vez…”


Ao mesmo tempo em que temos o suspense desenvolvido em torno do que guarda o baú, do desaparecimento de Quim e todos os mistérios que cercam o personagem, contudo, uma trama bem realista e com problemas atuais acontece. Como é de praxe na coleção Leituras Maduras, da parceira Editora Biruta, algumas reflexões mais sérias também são levantadas aqui. A escrita leve e os enigmas chamam a atenção do público e eles acabam recebendo também dramas familiares, conflitos de gerações e uma discussão sobre racismo.

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O Baú do Tio Quim foi indicado em 2012 para o Prêmio Jabuti na categoria infantojuvenil, um reconhecimento merecido por trazer questões importantes para o público enquanto distrai e entretém com uma fantasia muito bem escrita. É um livro sobre imaginação e sonhos, que encoraja o público a se desprender e seguir seus próprios caminhos.


 

01o baú do tio quim – luiz antonio aguiar – editora biruta – 157 páginas

em 140 caracteres… uma narrativa que alinha conflitos familiares, mitologia e aventuras de piratas.
um livro para… lembrar dos clássicos infanto-juvenis da Coleção Vaga-Lume e filmes de aventura da Sessão da Tarde.
combina com… jantar em família, piada sem graça e objetos desaparecidos!

A Biruta é parceira do blog e enviou um exemplar deste livro como cortesia. Você pode conhecer todo o catálogo da editora aqui e acompanhá-los no blog Biruta Gaivota, no Facebook e no Instagram.

Andre não consegue colocar tudo seu numa única mochila.

a imagem de capa veio daqui. daqui a foto 1 e daqui a foto 2.

contos foras da lei

Foras da Lei Barulhentos, Bolhas Raivosas e Algumas Outras Coisas (…) é uma coletânea de pequenas histórias pra gente pequena, escritas por gente grande como Neil Gaiman, Nick Hornby e o garboso Jonathan Safran Foer. Daí que li e adorei os textos e ilustrações, mas alguns contos merecem mais estrelinhas douradas que outros, já que conseguiram me conquistar de maneiras diferentes. Seria injusto dar uma nota geral considerando o livro como um todo, né?

Por isso, aqui está o livro comentado, conto por conto. Esta postagem vai analisar, destrinchar e opinar sobre a introdução e os 11,5 contos. (Sim, são onze contos e meio.)


 

introdução
por lemony snicket

Lemony Snicket introduz o livro com alguns parágrafos te contando que Foras da Lei Barulhentos não é um livro chato e que esta será uma ótima leitura (a não ser que o leitor goste de coisas chatas). Ele explica que as coisas que acontecem nos contos não tem a ver com ursinhos e bosques encantados, mas, para agradar todo mundo, coloca várias citações (ou microcontos) de histórias que são realmente chatas, sem-graça e idiotinhas. E ele tem talento pra isso, porque quase que não consegui terminar a Introdução. Ficava a todo momento esperando alguma sacada bacana do Lemony, mas ela não veio.
* Vale 2 Minhocas Da Divisão com Muitos Algarismos!


 

Foras da lei 2

pequeno país
por nick hornby

Meu primeiro contato com a escrita de Nick Hornby foi através deste conto e, veja bem, o cara é bom. A história de Pequeno País gira em torno de um país realmente pequeno, coisa de poucos passos. Nada de aparecer no mapa, nada de grandes estabelecimentos. A única coisa que parece importar para aqueles poucos moradores é o time de futebol (mesmo perdendo os jogos por dezenas de gols de diferença), mas a situação piora quando um importante jogador sofre um acidente às vésperas de um jogo. Sem muitas alternativas, Stefan precisa entrar para a equipe, mesmo sem saber jogar e sem vontade de estar em campo. O conto se tornou um dos meus preferidos de Foras da Lei Barulhentos, porque é bem engraçado e cheio de sacadas interessantes. Ótimo para abrir o livro.
* Vale 5 prefeitas desconhecidas!


 

lars farf, pai e marido excessivamente temeroso
por george saunders

O título não me agradou muito à primeira-vista, mas este acabou sendo meu conto favorito do livro. Ele se trata de um homem que gosta tanto de seus filhos e de sua mulher que resolve os proteger de uma maneira, vamos dizer, exagerada. Porém, nunca está satisfeito com as traquitanas que ele mesmo arruma, gerando um enorme ciclo vicioso de armadilhas para ladrões, sistemas anti-bomba, sapatos que não escorregam… É um conto bem escrito e que fala sobre a importância da família. Fala sobre aquela angústia que a gente sente quando está longe de alguém. Fala sobre o amor (e o amor provoca o medo, de certa maneira).
* Vale 5 Baldes de Rega Anti-Incêndio!


 

monstro
por kelly link

A história de Monstro acontece em um acampamento de garotos. Todos parecem acreditar na lenda de que um monstro habita aquela floresta. Ninguém sabe como este monstro é (peludo? gigante? verde?), mas o medo aparece e eles precisam se distrair para que o tempo passe rápido e dormir bem quietos para não atraírem o monstro. A história poderia render algo muito bom, mas Kelly Link não soube desenvolver o conto e me senti confuso entre as várias páginas. O pior é o desfecho broxante. Alguns livros tem desfechos abertos, mas que me satisfazem de alguma forma. Monstro, porém, não tem um desfecho aberto. Nem tem desfecho. Colocaram um ponto final por engano. Devem ter perdido a história na editora, falhado na impressão. Alguma coisa aconteceu.
* Vale 2 meninos de vestido!


 

as competições de cowlick
por richard kennedy

Cowlick é o nome de uma cidadezinha que é invadida por alguns caubóis. É uma história meio velho-oeste, sabe? Tem xerife, cavalos, cidade empoeirada… Os personagens precisam se livrar da gangue de saqueadores, mas não tem armamento nem muita gente disponível para um ataque. A solução é criativa, mas peca na previsibilidade. Quando a primeira das três cenas é concluída já havia descoberto o desfecho. Leitura rápida e agradável, ainda assim.
* Vale 4 nomes engraçados para os vilões!


 

vendidos separadamente
por jon scieszka

Essa história é a menor de todas e de leitura mais rápida, somente com diálogos. Porém, não trouxe acréscimo algum ao livro da edição brasileira. Isso porque ela é toda feita de trocadilhos com slogans de produtos, mas isso só faz sentido no original. A tradução para se adequar ao diálogo perde os slogans e, se os slogans dos produtos na gringa fossem substituídos por aqueles que eram usados no Brasil, a conversa perderia o sentido. Acaba sendo algo superficial e deveras sem-graça para nós.
* Vale 1 café da manhã dos campeões!


 

Foras da Lei 1
o terceiro desejo de seymour
por sam swope

Seymour é uma criança de coração grande e cérebro pequeno e tem uma mãe (que se chama Sra. Seymour, risos) que é uma ogra. Como eu disse, ela  não se parece uma ogra. Ela É uma ogra. Logo, odeia crianças e, por ser uma criança, odeia seu próprio filho. Quando o menino encontra um pequeno duende e o prende entre as mãos, tem a chance de fazer três desejos ao prisioneiro mágico. Agora, ele terá três chances de fazer sua mãe o enxergar de maneira mais amável. É uma história bonitinha, sobre tentar agradar os outros e preferir ser gentil. Deixar o outro passar à frente. Gostei bastante!
* Vale 4 Tiranossauros Rex!


 

grimble
por clement freud

Grimble tem mais ou menos dez anos de idade. Mais ou menos dez anos porque seus pais são bastante desatentos e comemoram o aniversário dele sem certeza alguma. Chegam em casa segurando um bolo e dizem “parabéns, hoje você completa mais ou menos onze anos!” ou “ontem você completaria mais ou menos oito anos, mas a confeitaria estava fechada e não pudemos comemorar”. A história começa quando os pais de Grimble, sempre despreocupados, resolvem seguir viagem para o Peru, avisando-o somente por bilhetes e instruções deixadas na casa. Durante o conto, acompanhamos uma espécie de diário (mas, em terceira-pessoa) dos 5 dias em que ele passa sozinho em casa. São narrações pela escola, almoços em casas de vizinhos, aventuras cozinhando sozinho e pequenas poesias escritas pelo menino. É um conto divertido, completamente bizarro e aleatório. É um dos meus favoritos do livro porque a escrita de Clement Freud soa bastante natural, como se ele conversasse com o leitor.
* Vale 5 telegramas que avisam de outros telegramas!


 

spoony-e e spandy-3 contra as hordas roxas
por john kochalka

No meio de vários contos com grandes textos, esse história é, na verdade, uma composição de ilustração, fotografia e texto. Uma história em quadrinhos bem colorida sobre um super-herói grande e forte com cabeça de gato e um pequeno ser peludo que tem uma colher como arma e cara de bebê. Os dois precisam derrotar as hordas roxas (uma espécie de geleia maligna que abrem o crânio e suga o líquido dos olhos), mas o grandão quer fazer todo o trabalho sozinho. É um conto rápido e dinâmico, onde as ilustrações se encaixam perfeitamente no pouco texto.
* Vale 4 Camaradas de Batalha!


 

pássaro do sol
por neil gaiman

Se tem alguém que eu tenho muita vontade de gostar é Neil Gaiman. É tanta gente que gosta dele, tanto fã, tanto sucesso pros seus livros… Comecei a ler O Oceano no Fim do Caminho incentivado pelos comentários positivos de algumas pessoas, mas não consegui terminar o livro, por achar a leitura um pouco chata, confesso. Pássaro-do-Sol seria a chance de Neil Gaiman se redimir comigo, mas ele falhou novamente. A escrita do autor é um pouco arrastada e não me conquistou, mas tive uma surpresa com o desfecho que foi bem desenvolvido. Algumas coisas me pareceram mal-explicadas ao longo das páginas (okay, é um conto, mas talvez o material pudesse ser estendido ou a ideia pudesse ter gerado uma novela), o que resultou num saldo neutro.
* Vale 2,5 epicuristas! 


 

Foras da lei 3
o telefone da acse
por jeanne duprau

Se você tem o mínimo de amor por cachorros e outros animais, se segure e se prepare emocionalmente antes da leitura deste conto. A história é bonita, emociona e tem uma final feliz digno de contos de fadas, mas com uma pitada de realidade. Tudo começa quando o pequeno Martin encontra um celular perdido numa praça e tenta encontrar o dono, solitário, fugindo da sua aflitiva vida familiar com vários irmãos em um apartamento apertado. Quando ele começa a testar os números da discagem rápida é que a mágica começa. Não vou falar demais, mas posso adiantar que o trabalho da autora Jeanne DuPrau é incrivelmente emotivo.
* Vale 5 amigos que só fazem jogar videogame!


 

o sexo distrito
por jonathan safran foer

Este conto foi o grande motivo de comprar Foras da Lei Barulhentos. A história do Sexto Distrito é citada no livro Extremamente Alto & Incrivelmente Perto, do próprio Jonathan Safran Foer. Porém, a história aparece realmente só neste livro. Nova Iorque é dividida, atualmente, em cinco distritos, mas esta lenda conta de como era o local quando um sexto distrito estava presente e o que aconteceu para que ele desaparecesse. São vários fragmentos que compõem a história – a que mais me chamou a atenção e me emocionou foi a cena do casal que se comunicava por telefones de latas e barbante. No geral, o conto toca a gente e empolga (sendo um final calmo para a coletânea), mas minhas expectativas não foram atendidas. Esperava mais, por conta do outro livro do autor.
* Vale 4 árvores – a não mais que vinte e quatro passos na direção leste contando a partir da entrada do carrossel!

 


 

snicket começa, você termina
por lemony snicket

Novamente, Lemony Snicket cria um texto sem-graça com expressões repetitivas, do mesmo modo que a Introdução. Ele diz que tinha medo de terminar para que algo chato não acontece, então conta com os leitores para terminarem a história de um modo não-chato e que vale um parabéns nada chato para quem fizer o melhor trabalho. Chato, chato, chato de novo… A (metade da) história em si soa mais criativa e sincera, mesmo que em poucas linhas. Bom trabalho para o autor que deixa um boa premissa para o leitor: cinco amigos que se dispersam de um piquenique e acabam “no escuro” e “em uma situação perigosa”.


 

foras_da_lei_barulhentosn_bolhas_raivosa_1345561530bforas da lei barulhentos, bolhas raivosas e algumas outras coisas (…) – vários autores – cosac naify – 179 páginas

um livro para…
 dar algumas risadas, ficar pensativo e se espantar com o tamanho da criatividade dos autores.
combina com… final de semana, férias ou livro escondido dentro do livro de matemática.

 

Andre não é nem fora da lei, nem barulhento!