confissões

Por uns anos toda a família da minha mãe morou no litoral capixaba. Por causa do conforto, a gente sempre ficava na casa dos meus avós, o que me incomodava um pouco porque (apesar das ótimas refeições proporcionadas) uma casa onde vivem apenas pessoas idosas nunca parecia a melhor opção de férias para uma criança entediada ou um adolescente meio chato.

Então, eu sempre saía de lá depois do almoço e atravessava sozinho umas ruas para chegar à casa dos meus primos. Escrevendo agora me veio uma certa saudade de ficar a tarde inteira por lá, sem ver a hora passar, me divertindo e me enchendo de açúcar – e voltar pra casa meio emburrado por minha mãe ter ido me buscar cedo demais.
Eles tinham videogame, internet, jogos de tabuleiro, acesso livre a uma locadora de dvds e uma mãe que cozinhava besteiras e fornecia biscoitos, sorvetes e outras coisas industrializadas as quais nunca tive muito acesso em casa. Não lembro se eu tinha um ranking para tias preferidas na época, mas, se eu tivesse, ela estaria muito bem posicionada nele.

O tempo passou e essa família (esses primos, essa tia) se mudaram para a cidade onde eu morava. Isso poderia ter feito nosso contato aumentar, mas curiosamente a gente acabou se afastando. Nunca fui à casa nova deles e lembro de uma única visita deles à minha. Eram meses sem notícia, até que a gente se esbarrava em algum almoço de família, nos atualizávamos sobre nossas vidas e tudo seguia em frente. A cada encontro, um choque: meus primos cada vez maiores, minha tia cada vez mais abatida.


Esta é a segunda vez que eu volto para a cidade onde eu nasci por causa de uma morte. Apesar de que, desta vez, vim por uma quase morte (ou pelo aviso de que ela não iria demorar a chegar).
Essa tia, que há meses convivia com uma doença e sofria com dores físicas e com depressão, ou viria a óbito por causa do câncer ou pela cirurgia que precisava fazer.
A família já estava avisada. Ela já estava avisada.
Eu voltei para a cidade com a intenção e a angústia de esperar – e imagino o quanto a espera e angústia dela era ainda maior.


“Nunca é cedo demais para começar a pensar na própria morte e na morte das pessoas que você ama.
Não quero dizer pensar na morte em ciclos obsessivos, com medo do seu marido ter sofrido um acidente horrível de carro ou do seu avião pegar fogo e despencar do céu. Mas uma interação racional, que termina com você percebendo que vai sobreviver ao pior, seja lá qual for o pior.”


confissoes

Fitar a morte nos olhos não é uma tarefa fácil. Incomoda e pode ser uma tragédia horrível. Ser humano é ter consciência da nossa mortalidade, por mais que a todo momento procuremos negar isto e desviar o olhar. Perceber que você é mortal e que as pessoas que te cercam podem te deixar a qualquer momento traz uma sensação inquietante.
Para alguns, isto funciona como um motor. Para outros, soa fatalista e provoca um desespero por mudar de assunto.

Esta segunda reação é provavelmente um sintoma de uma cultura que evitar o tempo todo pensar nisso. Enquanto para alguns povos envelhecer significa adquirir experiência, para uma cultura moderna ocidental isto é algo feio. Fios brancos no cabelo, marcas de expressão, rugas, tudo precisa ser escondido, refeito, cirurgicamente removido. Até mesmo nossos mortos são embalsamados, disfarçados e maquiados para parecerem mais vivos. A gente tem um pavor de se aproximar do fim da vida.
A gente não encara a morte como deveria, como algo natural.

É essa a questão que Caitlin Doughty discute e aprofunda em seu livro de memórias, Confissões do Crematório. Com um tom leve e honesto, ela reflete sobre a visão da morte em diversas culturas do mundo, tanto no passado quanto no presente, procurando afirmar o quanto ela ainda precisa ser naturalizada e vista como algo inerente a nós.

Caitlin observava a morte de perto diariamente quando trabalhou numa empresa funerária e esclarece no livro vários conceitos desta indústria.
Em uma das passagens do livro, por exemplo, ela apresenta a tribo dos Wari’, que pratica canibalismo com seus mortos por acreditarem na destruição total do corpo, e os monges tibetanos, que entregam seus corpos a abutres por crerem que a carne pode alimentar outros seres depois que a alma já os deixou. Então, ao comparar estes costumes com o nosso ato de perfurar os intestinos de alguém com um longo trocarte prateado, para embalsamar o corpo e adiar a decomposição do corpo, a gente percebe que esta é uma prática vazia de significado e crença. Ela não traz consolo. Ela apenas parece estar roubando a morte de nós.

E Confissões do Crematório segue assim, utilizando uma linguagem sincera, descrições realistas, uma pesquisa profunda e, acima de tudo, histórias reais – são relatos, segredos e curiosidades dispostos de uma maneira muito cuidadosa e delicada, expostos não para chocar, mas para levantar reflexões e trazer lições sobre o tema.

Pra ajudar a compreender nossos rituais e tirar o caráter sombrio da morte. 


“Aceitar a morte não quer dizer que você não vai ficar arrasado quando alguém que você ama morrer.
Quer dizer que você vai ser capaz de se concentrar na sua dor, sem o peso de questões existenciais maiores como “Por que as pessoas morrem?” e “Por que isso está acontecendo comigo?”.
A morte não está acontecendo com você.
Está acontecendo com todo mundo.”


A sensação de esperar a morte chegar, como vivi essa semana, é bastante aflitiva. Eu fiquei triste, mas tentava internalizar que era o melhor a acontecer nesse momento, que ela interromperia o sofrimento de alguém especial e era a ordem natural das coisas. Ainda assim, fiquei abalado e comovido quando recebi a notícia de que ela havia acontecido.

Porque fitar a morte nos olhos não é mesmo nada fácil.
Mas proclamar que o fim é parte da existência faz você se lembrar que a vida não pode ser banalizada.


capaconfissões do crematório – caitlin doughty – 257 páginas – darkside books
em 140 caracteres… um livro de memórias marcante e sensível, sobre um assunto universal: a morte.
um livro para… entender a morte em diversas culturas do mundo, conhecer a indústria funerária americana e apreender diversas lições em todo esse processo.
combina com… apertar botões, realizar rituais e deixar queimar.
para quem já leu… acompanhar o ask a mortician, o canal da autora no youtube, é uma forma de ficar pensando no assunto por mais tempo.

A Darkside Books é parceira do blog e enviou um exemplar deste livro como cortesia. Conheça mais do catálogo da editora clicando aqui e a acompanhe no Facebook e no Twitter.

Andre não colocou as vendas de volta.

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mas você vai sozinha?

Não é de hoje (numa época em que youtubers gravam diversos vlogs em Orlando e programas de tv fazem listas de dez restaurantes imperdíveis em Paris) que a gente deseja passar nossa visão de viagens pelo mundo para outras pessoas. Lá nos tempos de navegações e descobrimentos (e antes disso) já se escreviam longas cartas e tratados sobre as impressões de alguém sobre um lugar novo a ser explorado e colonizado.
É comum nesses relatos termos um escritor presente, atuante, protagonista, que caminha pelas ruas de uma cidade e descreve o que vê e o que sente quando vê. Contam sobre pessoas, cenários, comidas, cheiros, costumes como quem vive aquela rotina diariamente – dando dicas fundamentais para quem deseja viajar para o mesmo lugar – mas trazendo um certo encantamento com o diferente no olhar.

Esses relatos, para mim, precisam brincar com os sentidos e esclarecer quem lê sobre os pontos altos e/ou baixos de um lugar, mesmo que indiretamente. São uma chance de convencer o leitor a comprar uma passagem para o mesmo destino na mesma hora ou desistir definitivamente de tentar encarar algumas experiências. Nesse sentido, o Mas você vai sozinha?, de Gaía Passarelli, consegue cumprir muito bem seu papel.

O livro de estreia da escritora de viagem a coloca no primeiro plano de jornadas para Índia, Colômbia, Peru, Escócia e outros destinos, mas também mostra um desejo e uma grande capacidade de observação.
Gaía narra o que acontece quando olha para o outro, se envolve com as pessoas e tenta perceber, compreender e respeitar seus hábitos.
Em Austin, ela cochilou num grande festival. Em Medellín, ela participou de uma cerimônia xamânica. No Parque Nacional do Itatiaia, ela se perdeu e se encontrou.
Ela viaja sozinha e sabe que existem riscos, mas não deixa a insegurança e o medo a dominarem, os perrengues a desanimarem. E vai seguindo por conta própria e se entregando a novas sensações e vivências…


“É uma sensação surreal estar na extremidade de um continente, sozinha, tão longe quanto jamais estive.
Sabia que não era a única pessoa ocidental no sangam, mas com certeza era a única mulher tatuada e de cabelo curto no espaço visível.”

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Quem procura por onde comer, onde se hospedar, quanto custa, as melhores rotas e uma quantidade imensas de roteiros detalhados e dicas específicas pode se decepcionar com o Mas você vai sozinha?, pois ele apresenta um espaço consideravelmente pequeno dedicado a isso. Somente uma ou duas páginas, ao final de cada capítulo.

Porém, o conteúdo deste espaço é muito bem feito e, justamente pelo tamanho reduzido, fornece informações tão gerais quanto importantes e dicas de lugares realmente que valem a pena visitar. Assim, fica até uma liberdade maior para o leitor explorar a cidade e/ou fazer buscas prévias sobre o que realmente o interessa.
Além disso, algumas vezes esta página traz uma playlist feita pela autora para você entrar no clima dos lugares visitados no capítulo. E vale a pena confiar numa ex-Vj da MTV Brasil para isso! As sugestões de músicas (todas disponíveis para ouvir no perfil da Globo Livros no Spotify) trazem de Lou Reed a Yeah Yeah Yeahs, passando por uma lista especial só com músicas do David Bowie.

O mais interessante e original aqui, contudo, são os boxes que encerram definitivamente cada capítulo e que carregam o mesmo nome do livro, “Mas você vai sozinha?”. São dicas particulares para mulheres que querem viajar sozinhas, dando informações sobre a violência, a liberdade individual e o comportamento social dos locais visitados e alguns comentários sobre os cuidados que a viajante deve ter. É uma forma de incentivar e encorajar mulheres a curtirem a própria companhia em qualquer lugar do mundo.
Inclusive, o livro todo tem certo tom de empoderamento feminino. Toda a equipe que trabalhou na produção do livro é de mulheres, algo que aconteceu espontaneamente. Em destaque: a artista Anália Moraes, que fez todas as ilustrações, Babi Souza (do Vamos Juntas?), que escreveu a orelha, e Jana Rosa (escritora) e Sofia Soter (uma das fundadoras da Capitolina), que escreveram os blurbs da quarta capa.


“Vão olhar para você.
O quanto antes você se acostumar à ideia e não deixar isso estragar sua viagem, melhor. Encarar de volta, aliás, é interpretado como um convite.(…)
O segredo é sempre lembrar que você não está em casa, mas numa parte do mundo onde os códigos de comportamento são diferentes dos seus.
O mundo não é o seu quintal.”


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“Nem sempre é preciso ir tão longe para ficar tranquilo com você mesmo, claro. Mas de cima de uma montanha cujo nome até agora não sei com certeza
(Ben Nevis? Glenn Nevis? Faz diferença?),
sem conseguir ver mais de dez centímetros à frente do nariz, por um momento percebia que eu nenhum lugar eu poderia me sentir tão bem.”


Mas você vai sozinha? é como um clássico livro de relatos de viagens, mas com uma voz afetiva, bem-humorada e original explorando o prazer de descobrir novos espaços, pessoas e culturas – e sobre ser descoberto por eles. Cada crônica inspira de uma forma diferente, mas todas deixam a sensação (ou a necessidade) de que é preciso seguir em frente e colocar o pé na estrada.

Viajar sozinho pode parecer deprimente, solitário, perigoso. Porém, essa superfície esconde uma oportunidade ótima de autoconhecimento e amadurecimento.
Pode ser meio desesperador parar pra pensar que não há ninguém conhecido por perto, mas o senso de que é você quem vai tomar todas as decisões, lidar com seus resultados e, por isso, se permitir errar é engrandecedor.
Há um lado positivo em se sentir vulnerável.


medium_1686mas você vai sozinha? – gaía passarelli – 176 páginas – globo livros
em 140 caracteres… um livro menos para dar dicas específicas e mais para contar boas histórias e deixar a vontade de criar sua própria rota.
um livro para… ficar com vontade de colocar o pé na estrada (ou ficar boas horas conversando com a autora, caso não seja desses.)
combina com… alces, lanternas, cervejas e david bowie.
para quem já leu… o livro (e sua adaptação para o cinema, com reese whiterspoon) “livre”, de cheryl strayed, uma outra jornada solitária de uma mulher.

A Globo Livros é parceira do blog e enviou um exemplar deste livro como cortesia. Conheça mais do catálogo da editora clicando aqui e a acompanhe no Facebook e no Twitter.

Andre não saberia lidar com o alce.

4+1 | exorcismo

Existem algumas coisas que a ciência não consegue explicar e parece tentar ficar distante. Porém, ainda assim, elas acontecem. Possessão é uma delas. O que se tornam as pessoas que morrem? É possível se comunicar com espíritos? O que acontece quando o corpo de alguém é invadido por outro espírito? Como funciona um exorcismo? Se você gostaria de saber as respostas destas perguntas, o livro Exorcismo, de Thomas B. Allen, pode ser para você.

 


4 motivos para amar…

1) história real

Robert Manheim é um garoto de 14 anos que começou a se envolver com espíritos por causa de sua tia, que era adepta do espiritualismo e sempre estimulou o menino a tentar reconhecer habilidades de médium e se comunicar com os mortos. Porém, o que acontece é que o garoto acaba sendo possuído, depois de brincar com uma tábua de Ouija.

Esta pode parecer uma história de ficção, mas é realidade. O caso realmente aconteceu, em 1949, mas os nomes de todas as pessoas envolvidas foram mudados, para garantir privacidade e segurança.

A história ganhou tanta repercussão que chegou aos ouvidos de Willian Peter Blatty e inspirou o livro clássico O Exorcista, adaptado para os cinemas por William Friedkin. Porém, somente neste livro que você descobre todos os detalhes que realmente aconteceram – e são bastante aterrorizantes, mesmo não envolvendo cabeças girando em 360 graus ou vômito verde.

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2) pesquisa e aprofundamento

O trabalho de Thomas B. Allen em toda a construção do livro é outra qualidade que precisa ser ressaltada aqui. O jornalista pesquisou a fundo tudo que aconteceu, entrevistando a família, vizinhos, amigos, padres, pastores e todos que se relacionaram de alguma forma com todas estas pessoas.

Além disso, Exorcismo ainda traz uma série de documentos confidenciais, reproduções de textos da Igreja Católica (como o manual do Vaticano para a a identificação e a expulsão de demônios e realização dos exorcismos), o contexto histórico daquela época, o que diferentes religiões pensam sobre a possessão e a comunicação com espíritos, a trajetória da Igreja Católica em relação ao tema… O registro impressiona por tamanha profundidade que o autor conseguiu trazer.

 


“Escrevi este livro como um jornalista que tenta contar uma história da maneira mais direta e minuciosa possível.
Nunca antes tinha sentido a necessidade de mostrar minhas credenciais dessa maneira.
No entanto, queria que meus leitores soubessem que o que eles leram foi escrito por um agnóstico criado como católico, educado por jesuítas e que ainda se pergunta a respeito do significado de spiritus.”

 


3) o diário do exorcista

O principal desses documentos e citações com certeza é o Diário do Exorcista, que ocupa praticamente toda a segunda metade do livro. Aqui temos tudo que o padre envolvido no caso achou importante narrar sobre o que estava acontecendo com os Manhein, conforme as instruções dadas pelos seus superiores. Quando o corpo do garoto começa a ser coberto por palavras, quando os objetos voam pelos ares e quando ocorrem outras manifestações demoníacas acontecem. Está tudo ali registrado.

É interessante ver a visão impessoal do autor Thomas B. Allen sobre o caso, mas as narrações do padre me causaram um sentimento um pouquinho mais estranho – não sei explicar bem o que é.

(Uma dica: pode ser interessante ler o texto do jornalista e o diário do exorcista com certo espaçamento de tempo entre uma coisa e outra, já que são bem parecidas na essência e podem causar uma sensação desagradável de dèjá vu; outra opção é intercalar as duas partes e ir progredindo aos poucos nas duas.)

 


4) o capricho da edição

A Darkside Books sempre consegue interpretar muito bem o clima dos livros que ela publica e transmitir isso pro projeto gráfico, todos já sabemos. Porém, conseguiram levar tudo isso a um novo nível quando se trata de Exorcismo. A capa (dura!) engana pelos riscos e texturas e, acompanhando isso, toda a parte interna e os abres dos capítulos também são marcados por arranhões. Para completar, a folha de guarda traz uma representação de uma tábua de Ouija, que pode ser encarada pelos leitores mais corajosos com o marcador que simula uma planchette.

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…e um para nem tanto

O motivo que pode deixar muita gente frustrada com este livro é o fato dele não ser um livro de terror propriamente dito. Isso quer dizer que não irei me assustar? Daí depende de você e como você encara o tema.

Existem alguns momentos com descrições bem visuais e coisas acontecendo de forma misteriosa, sem explicação alguma, o que pode causar uma sensação desconfortável. Algumas cenas me deixaram um pouco perturbado e aflito, mas o medo em si não me acompanhou nesta leitura. A escrita do Thomas B. Allen, densa, me deixava imerso na história, cheio de curiosidade para saber os próximos acontecimentos da história, as próximas etapas do ritual, e me deu muitas sensações diferentes, mas não sustos, arrepios ou pavor.

Recomendo a leitura para quem tem interesse no tema e esteja disposto a encarar uma espécie de documentário bem detalhado sobre exorcismo, mas não para quem quer apenas uma história que entretém ou tenta te prender utilizando cliffhangers, momentos escabrosos.


 

exorcismo capaexorcismo – thomas b. allen – 254 páginas – darkside books

em 140 caracteres… um dossiê profundo sobre um caso de possessão específico e o tema do exorcismo como um todo.
um livro para… quem tem curiosidade com o tema e não se importa em despender um tempo a mais para digerir os acontecimentos de uma história, já que tudo é bem denso.
combina com… a fé e o sobrenatural.
para quem já leu… pode ser interessante analisar e comparar esta história real com as versões ficcionais que a gente vê por aí em outros livros e no cinema.

 

A Darkside Books é parceira do blog e enviou um exemplar deste livro como cortesia. Conheça mais do catálogo da editora clicando aqui e a acompanhe no Facebook e no Twitter.

 

Andre nunca enxergou espíritos.

quadrinhas

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vírus tropical – power paola

A mãe acredita na visão do futuro através da leitura de peças de dominós. O pai já foi padre e hoje celebra missas clandestinas dentro de casa. Uma irmã é totalmente rebelde e depravada. A outra é santinha e recatada. E, no meio de todos esses personagens icônicos, Paola, a caçula, nascida de uma gravidez acidental (que foi confundida com um vírus tropical), tenta encontrar quem ela é e em quem se espelhar.

Vírus Tropical é uma história autobiográfica da ilustradora que assina como Power Paola, contando sobre como foi se ver no meio dessa família tão peculiar e ainda morar em diversos países quando precisava de referenciais firmes para formar sua identidade. Super recomendada, o traço da Paola é cheio de detalhes e o visual da graphic novel acaba sendo de encher os olhos.

capa 1.jpgvírus tropical – power paola – 160 páginas – editora nemo
em 140 caracteres… uma saga familiar engraçada e bem ritmada e que gera identificação apesar das peculiaridades.
um livro para… observar com calma cada detalhezinho das ilustrações!
combina com… uma viagem pela América Latina e dias quentes de ócio!
para quem já leu… os livros da coleção Otra Língua, da editora Rocco.


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placas tectônicas – margaux motin

Também autobiográfica, Placas Tectônicas começa quando Margaux Motin se divorcia do marido aos trinta e poucos anos. A partir daí, ela acaba precisando redescobrir o mundo, solteira depois de tanto tempo e agora criando sozinha a filha pequena. Bem humorada, ela brinca aqui com situações do cotidiano e com a inabilidade de se adequar à sua realidade atual. E, apesar de seguirem certa cronologia, esta edição funciona com mini histórias – algumas delas chegam a ter apenas uma página.

O que mais me chamou a atenção em Placas Tectônicas é o estilo de ilustração da artista, com certeza. As páginas não tem os quadrinhos definidos e os desenhos e cenas se misturam em algumas delas. Já outras tem ilustrações enormes, sendo utilizada para uma única cena. Fora as intervenções em fotografias! Sério, é tudo lindo!

capa 2.jpgplacas tectônicas – margaux motin – 256 páginas – editora nemo
em 140 caracteres… uma história sobre acompanhar as mudanças na sociedade através do tempo!
um livro para… acreditar no amor depois dos 30!
combina com… palavrões, crianças barulhentas!
para quem já leu… o blog da margaux motin segue o mesmo estilo e dinâmica deste livro e é atualizado com tirinhas periodicamente! visite aqui.


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como eu realmente – fernanda nia

Como eu realmente… nasceu na internet, num blog alimentado por Fernanda Nia. Nele, Fernanda traz tirinhas onde sua versão ilustrada, a Niazinha, passa por diversos momentos comuns, mas encara isso de maneira diferente. Pela editora Nemo, a autora lançou uma reunião de tirinhas já conhecidas e inéditas, divididas em capítulos temáticos.

A autora aproveita a liberdade que tem com a literatura para desenhar os pensamentos e esclarecer o que ela realmente tinha vontade de fazer, dizer ou seja lá o que for. Outras tirinhas, brincam com expectativa e realidade. Nos dois volumes, Fernanda também cria outros personagens (como uma fangirl e um cara sem desconfiômetro) e dá voz à sua gatinha de estimação, a Srta. Garrinhas. É divertido e ótimo para passar o tempo.

capa 3.1capa 3.2como eu realmente…: volumes 1 e 2 – fernanda nia – 80 páginas cada – editora nemo
em 140 caracteres… como seria o mundo se a gente pudesse viver na nossa própria imaginação!
um livro para… se identificar e rir do cotidiano!
combina com… feminismo, fantasia e divagações!
para quem já leu… o blog da fernanda nia ainda recebe novidades sempre. visite aqui!


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primeiras vezes – sibylline

Primeiras Vezes é uma antologia com dez histórias eróticas, todas escritas pela roteirista Sibylline. A ilustração, porém, passa por outros artistas franceses (Alfred, Capucine, D’Aviau, Augustin, Vince, Rica, Vatine, Pedrosa, Bertail e McKean). Dessa maneira, cada conto é dosado e passa sensações diferentes, de acordo com o traço do ilustrador.

Como diz o título, todas as histórias falam de primeiras experiências: a primeira relação sexual, a primeira vez numa sex shop, o primeiro ménage… Sempre protagonizados por mulheres, nos contos elas ganham vida e profundidade, tomam decisões e não estão numa trama de maneira hiper sexualizada ou apenas para deleite masculino. Destaque para a história protagonizada por uma boneca inflável, que, apesar de ter certo tom de sensualidade, consegue emocionar.

capa 4primeiras vezes – sibylline – 112 páginas – editora nemo
em 140 caracteres… uma série de histórias eróticas onde, diferentemente da maioria, as mulheres não são apenas objetos pelo prazer do homem!
um livro para… se ler com uma mão só!
combina com… reações físicas, cama de casal e meia-luz!
para quem já leu… fica a inspiração, rs.


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bear – bianca pinheiro

De alguma maneira desconhecida, a pequena Raven conseguiu se perder dos seus pais. Agora, ela precisa reencontrá-los e conseguir voltar para casa, acompanhada apenas por Dimas, um urso preguiçoso e mal-humorado. Para isso, ela vai caminhar pelo mundo, conhecer diversas cidades com características excêntricas.

No primeiro volume de Bear, a dupla passa por uma cidade cercada por charadas (e aproveita o momento para falar de um governo autoritário e déspota). Já no volume 2, ela fala de responsabilidades e a importância de viver direitinho cada fase da vida quando Raven e Dimas conhecem uma cidade onde todos os adultos viraram crianças.

O traço de Bianca Pinheiro é muito fofo e a história é uma graça, muito criativa e cheia de referências a outras histórias e elementos da cultura pop. É impossível terminar e não ficar esperando uma próxima edição!

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bear: volumes 1 e 2 – bianca pinheiro – 64 e 80 páginas, respectivamente – editora nemo

em 140 caracteres…
 uma aventura engraçadinha, que vai agradar tanto crianças quanto adultos.
um livro para… ficar torcendo pelos dois amigos, mas com medo do que pode acontecer quando raven encontrar os pais. será que precisará se despedir de dimas?
combina com… enigmas, trilhas na floresta e filmes da sessão da tarde!

para quem já leu…
 vale aguardar por um volume para guardar na estante enquanto lê as páginas que ainda serão publicadas! elas são disponibilizadas aos poucos neste tumblr, em versão com gifs animados, e o capítulo três já começou!


Andre queria ser amigo de um urso.

american crime story: o povo contra o.j. simpson

Nicole Brown e seu amigo Ron Goldman foram encontrados mortos em junho de 1994, na entrada da casa da. Mortos a facadas, um assassinato cruel, a polícia recolhe e analisa o maior número de evidências que consegue na cena do crime e se surpreende quando todas elas parecem incriminar o astro americano O.J. Simpson, ex-marido de Nicola e ex-jogador de futebol americano (que também atuou no cinema e participou de diversos programas de televisão e campanhas publicitárias).

Apesar da quantidade considerável de provas de sua culpa, O.J. foi inocentado no júri, depois de um processo longo e exaustivo de investigação e depoimentos. Como isto aconteceu? É o que este livro do jornalista Jeffrey Toobin tenta esclarecer.


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O POVO CONTRA O.J. SIMPSON

Não havia como inocentar O.J. diante de todas as circunstâncias apresentadas pela promotoria. Não havia como explicar a presença do sangue dele na cena do crime e no seu carro; o fato de uma luva bem incomum estar na casa de Nicole Brown e seu par correspondente na casa de O.J.; os fios de cabelo encontrados entre as vítimas terem o mesmo DNA do astro… O.J. Simpson também não tinha nenhum álibi e seus depoimentos eram vagos e inconsistentes. A defesa, para cumprir seu papel, tenta apenas levantar uma conspiração, uma outra hipótese: e se todas essas evidências tiverem sido plantadas por um policial corrupto e racista?

O crime aconteceu numa época onde os conflitos raciais estavam em voga, por causa do caso Rodney King, que havia acontecido recentemente. Foram seis dias de confronto entre a polícia e a periferia de Los Angeles, depois de policiais terem espancado um taxista negro e serem absolvidos do crime pela justiça. No tribunal, os advogados de defesa de O.J. Simpson, então, começam a tratar o caso de maneira semelhante, trazendo uma discussão sobre racismo para a frente do júri, o que inflamou ainda mais a população negra da cidade. O.J., assim como King, passa a ser considerado uma nova vítima do sistema e um novo símbolo para a luta contra o racismo.

No livro O Povo Contra O.J. Simpson, Jeffrey Toobin, que acompanhou o caso de perto numa cobertura para a revista The New Yorker, mostra cada passo das investigações, da escolha dos jurados, da formação dos times de defesa e promotoria, do recolhimento de depoimentos e do processo de júri como um todo. É bastante esclarecedor e completo, fundamental para quem se interessa pelo caso ou pela justiça americana. Tudo acontece de forma angustiante e causa certo sufoco no leitor tamanha riqueza de detalhes.

Além disso, o jornalista deixa claro como foi a sua atuação numa mídia, acompanhando e cobrindo o caso. Ele narra como foi conseguir cada entrevista, dar furos de notícias, antecipar a estratégia que seria adotada pela defesa, como era a repercussão de cada matéria que publicava e como o caso acabou se transformando num espetáculo midiático (com direito a transmissão ao vivo da fuga de O.J. e a perseguição policial que aconteceu para conseguir prendê-lo). Vale dizer que ele ignora qualquer tipo de imparcialidade e apresenta o seu ponto de vista da história – de certa maneira, Toobin discorda do júri e trata O.J. Simpson como culpado.


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AMERICAN CRIME STORY

No início do ano, o showrunner Ryan Murphy colocou no ar a série antológica American Crime Story. Exibida pela FX no Brasil, a ideia aqui é tratar de casos reais que envolvam crimes. A primeira temporada foi adaptada deste livro, publicado recentemente pela Darkside Books. A série teve uma fotografia e uma ambientação incrível e foi estrelada por Cuba Gooding Jr, Sarah Paulson e John Travolta.

Em 10 episódios muito bem produzidos, a gente consegue ter um panorama geral do que aconteceu e como aconteceu no caso, com foco nas cenas dentro do tribunal, mas também apresentando um pouco das conspirações que aconteciam do lado de fora. Mas vale esclarecer: a profundidade oferecida pelo livro é maior.

O trabalho de pesquisa e escrita de Toobin é exemplar, pois ele consegue trazer informações sobre o pano de fundo daquela sociedade, naqueles anos, contar o passado de todos os envolvidos e como eles chegaram até ali e explicações sobre cada pista encontrada pelos policiais com um livro denso que não soa lento ou arrastado – como devem ser os trabalhos de investigação.


acsamerican crime story: o povo contra o.j. simpson – jeffrey toobin – 460 páginas – darkside books
em 140 caracteres… uma obra que trata o caso O.J. Simpson com seriedade, profundidade e competência.
um livro para… quem se interessa por Direito, Jornalismo ou histórias que giram em torno de investigações e crimes reais.
combina com… personagens escandalosos, tensão causada pelo trabalho e um pouco de indignação.

A Darkside Books é parceira do blog e enviou um exemplar deste livro como cortesia. Conheça mais do catálogo da editora clicando aqui e a acompanhe no Facebook e no Twitter.

Andre ainda está indignado.

maldito e marginal

José Mojica Marins nasceu numa sexta-feira 13 e essa foi apenas sua primeira ligação com o terror. Depois disso, ainda vieram dezenas de filmes, programas de televisão, revistas, histórias e ideias escritas, pensadas, produzidas, filmadas por este talentoso artista. Mojica é bastante conhecido por ter criado e interpretado o personagem Zé do Caixão, mas o que além da aparência esquisita e das unhas enormes se sabe sobre ele?

André Barcinski e Ivan Finotti, depois de uma longa pesquisa e entrevistas, contam de modo apaixonado, sem distanciamentos, em Maldito, relançado pela Darkside Books numa edição de luxo, ricamente ilustrada e com filmografia atualizada, os passos do cineasta, desde a infância.


 

“Sozinho, “sem dinheiro e sem cultura”, como escreveu Rogério Sganzerla, Mojica realizou o sonho impossível: fazer cinema, a arte mais cara do planeta, num pais pobre, sem nunca ter estudado, sem contar com amigos influentes ou favores de quem quer que fosse.”


A história de José Mojica Marins é introduzida com os seus avós, passa pelos seus pais se conhecendo e começa “de verdade” quando eles se mudam para os fundos de um cinema – o pai, Antônio André, arranja um emprego como cuidador do local. É ali que, ainda criança, ele começa a gostar de cinema, ganha sua primeira câmera e começa a produzir pequenas gravações com os colegas da vizinhança. Autodidata, ele aprimorava seu trabalho durante o processo, procurando soluções para os problemas que apareciam na hora, já que passou muito tempo sem ter roteiros propriamente ditos ou uma maior organização.

Contudo, apesar de sempre procurar inovar na hora de contar suas histórias e buscar uma obra perfeita, seu trabalho acabava sendo limitado por alguns fatores. José Mojica nem sempre contava com investidores e chegou a deixar filmes pela metade por esse motivo. Quando os finalizava, cenas violentas, nudez e outros acontecimentos acabavam sendo censurados e cortados, comprometendo o resultado final que chegava aos cinemas (isso quando eram liberados para exibição ao público). E ainda, por conversar diretamente com o grande público (unindo a clareza de linguagem do rádio com cenas muito bem filmadas), era severamente rechaçado por boa parte dos críticos brasileiro da época – no exterior, entretanto, foi premiado e reconhecido.

Apesar de bater o desespero ou o nervosismo em alguns momentos, José Mojica Marins não desistia da arte de maneira alguma e esta é a lição mais importante que fica da vida deste homem. Ele foi persistente, mesmo vivendo no duro enquanto observava outras pessoas lucrando com a sua inocência.


 

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“Num país em que alguns cineastas fizeram seus pés-de-meia à custa de dinheiro público e ainda tem a cara de pau de reclamar do governo, José Mojica Marins dirigiu mais de trinta longa-metragens sem jamais contar com ajuda oficial. Aliás, o Estado brasileiro só fez prejudicá-lo, censurando e mutilando seus filmes.”


Ainda visto com olhares tortos por aqui, Zé do Caixão (e José Mojica Marins) é apresentado e explicado nesta obra de uma maneira bem clara pelos dois autores. Apesar das cabalísticas 666 páginas, o livro flui rapidamente sem precisar apelar para um conteúdo supérfluo, trazendo profundidade com notícias da época, recortes de críticas, informações sobre todas as obras do José Mojica (inclusive as que não chegaram a ser divulgadas) e dezenas e dezenas de imagens e fotografias.

Abordando tanto a vida do criador como do personagem, o lado profissional e também o pessoal, Maldito é indispensável para quem deseja conhecer este ser mitológico, tem curiosidade em saber mais sobre a história do cinema nacional ou gostaria de descobrir uma boa história – uma história real, mas onde a vida, a ficção e a paixão pela arte se mesclam e se confundem.


 

capa-ze-do-caixao-darksidezé do caixão: maldito – andré barcinski & ivan finotti – darkside books – 666 páginas

em 140 caracteres… uma obra extremamente rica sobre uma das figuras que mais merecem reconhecimento no Brasil.
um livro para… saber mais sobre o personagem Zé do Caixão, entender o passado do cinema nacional e descobrir segredos de filmagens.
depois da leitura… vale a pena passear várias vezes pelo extra “Mojicografia” no livro e procurar assistir os filmes do José Mojica Marins.

 

 

A Darkside Books é parceira do blog e enviou um exemplar deste livro como cortesia para que esta resenha acontecesse. Você pode conferir todo o catálogo da editora aqui e acompanhá-la no facebook, no twitter e no skoob.

 

Andre não comeria baratas pelo cinema.

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Cristiana Guerra viu a amizade com Guilherme Fraga, aos poucos, se transformar em amor. Um amor sincero e honesto, acima de tudo. Onde um respeitava seus limites e os limites do outro. Um amor que aceitava a ausência do outro em algumas noites, pois cada um tinha seu espaço e conviviam perfeitamente com isso. Um amor que se correspondia através de e-mails de bom-dia, telefonemas só para dar um beijo, a escrita em forma de palavras ou trechos de música.

Depois de perder os pais, ter dois abortos. se separar do ex-marido e algumas idas e vindas com Gui, Cristina viu renascer nela a esperança e uma felicidade fresca quando esse romance com Guilherme resultou em um filho, Francisco.

Esta é uma história real e que é narrada no livro “para Francisco,” reunindo e-mails trocados entre Guilherme e Cristina, fotografias do acervo da moça e postagens do blog que criou para compartilhar histórias da família e amigos e tentar diminuir o sofrimento com a ausência de Guilherme, que, subitamente, morreu dois meses antes do nascimento do filho. Foi um amor que nasceu com a morte de outro.

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“O seu sorriso toda manhã, Francisco,
é o e-mail dele me deixando um bom-dia.
É o telefonema só pra dar um beijo.
É o amor fresco e renovado que eu rego todos os dias.”


 

É estranho falar sobre livros que tocam a gente profundamente. Eu ensaiei a introdução desta postagem várias vezes e ainda não estou totalmente conformado ou ciente do que está escrito aí acima. Nunca me parece bom o suficiente. Nunca está perto do que esta obra merece.

Para Francisco é um relato distinto de mãe para filho sobre como foi perder o marido e ganhar um filho. Escrito todo após a partida de Guilherme, ela tenta descrever o pai para o filho através das cenas que ela guardava na memória, mas que transporta com delicadeza para o papel. Conhecemos o lado romântico dele, o modo como tratava os amigos, como se relacionava com a família… Guilherme demonstrava o que sentia. Gordo de educação e simpatia. Sabia seduzir quem o rodeava.

Entre algumas cartas e outras, lemos alguns dos apaixonados e-mails que ele mandava para Cris. Todos curtinhos, com a cara destes bilhetes que deixamos em geladeira com um pedido ou lembrete cotidiano. Porque o amor dos dois era realmente pautado no cotidiano. Todos os dias trocando mensagens, desejando felicidades, mandando beijos, convidando o outro a olhar as belas cores do céu pela janela, recomendando uma música para ouvir dentro do carro, no caminho para o trabalho.

Cris também utiliza este espaço como um diário, onde conta sobre a dor que sentiu, a música que ouviu, os almoços com a família de Guilherme, o sorriso que Francisco deu, seus primeiros passos. Também vemos Francisco crescer à medida que as páginas avançam e é gostoso saber de algumas coisas sobre a vida do pequeno e conseguir relacioná-las com alguns gestos do pai, que, quem diria, se mostraria cada vez mais presente após a morte.


 

“Engraçado, filho.
Você saiu de dentro de mim para a vida.
Seu pai saiu da vida e foi para dentro de mim.”


 

As palavras acabam se tornando um refúgio para Cris, que extrapola a ideia inicial e passa a compartilhar histórias e acontecimentos também de outras pessoas. Conhecemos avós, avôs, pais, mães, amigos… Outros personagens passam a tomar forma na nossa cabeça, por expressarem seu cuidado com a escritora em algum momento ou entrar na memória dela.

Cristiana tem o dom da poesia, da escrita. Escreve de uma maneira única e nos encanta suas lembranças. Mais que isso, deixa pequenas lições sem que percebamos. Pequenos avisos, advertências para uma vida melhor. Não deixe as coisas para depois: parece ser este seu maior ensinamento. Ame. Diga que ame. Valorize quem te ama. Não tenha medo. Agora.

Sobre distâncias, perdas e saudade. Poderia ser um livro sobre a morte, mas é um livro sobre vida. Intenso, mas delicado, Para Francisco é um livro para quem ama sua família, adora ouvir boas histórias de gente mais velha, já perdeu alguém que foi muito importante, vive longe da pessoa que você mais gosta ou gosta de biografias cheias de sentimentos. Um livro para quem ama.


 

livro_para_franciscopara francisco, – cristiana guerra – editora arx – 192 páginas

em 140 caracteres… um livro sobre perda e tristeza, mas também sobre amor e alegria.
um livro para… se emocionar e se inspirar a fazer pequenas declarações de afeto, mesmo que sem motivo!
combina com… buquê de flores!

 

Andre ama.